Há dez anos a hindu Bidi Mehidana foi a um banco estatal solicitar um microcrédito. Com 4 mil rúpias – cerca de 60 euros – comprou uma vaca, mas um ano depois, sem ao menos ter conseguido tirar um litro de leite do animal, a vaca morreu. Desde então o microcrédito se converteu numa verdadeira maldição para Bidi.
* Assista ao vídeo com narração e legendas em espanhol:
Bidi, que mora em um vilarejo a algumas horas da cidade de Calcutá, foi solicitar um novo empréstimo, pois queria comprar outra vaca. Entretanto, o banco recusou seu pedido e sua dívida atual é de 12 mil rúpias – 175 euros. Mensalmente o banco envia o pedido de pagamento, mas Bidi nem abre os envelopes com a esperança de que assim sua dívida não aumente. Funcionários do banco continuam a pedir pela devolução do dinheiro, mas Bidi não consegue nem sequer pagar os juros do empréstimo. A taxa de juros do banco é de 8%, e apesar de alta, ainda é menor que a dos bancos comerciais.
Adiantamento
Bidi ganha dinheiro fazendo bordados. Recebe 22 euros por mês. Seu marido, como a maioria dos habitantes do vilarejo, cultiva arroz, e sempre pede adiantamentos, pois o dinheiro acaba antes do tempo. Quando pode, vai pescar, e assim consegue algum dinheiro extra. Quando Bidi lhe pede dinheiro ele diz que não consegue arcar com todas as despesas e que irá pedir emprestado.
Além disso, a divida da hindu tem crescido consideravelmente por conta de um outro empréstimo que pediu a alguém da vila na época que teve que dar 10 mil rúpias como dote de sua filha. Este empréstimo ela tem que devolver com juros de 20%. Bidi sente tanta pressão que afirma estar considerando seriamente a possibilidade de suicidar-se.
* Este vídeo faz parte da série da RNW ‘Microcrédito: quem ganha?’





















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