“O Brasil está no meio, entra a cultura africana e a cultura ocidental”. A opinião é de Idriss Deme, estudante de Burkina Faso que vive desde março de 2009 no Rio de Janeiro. Veio ao Brasil por ser um dos três alunos selecionados para fazer um mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“O tratamento que os homens têm com as mulheres... eu achava que o que eu via nas novelas brasileiras quando estava no meu país representava apenas o aspecto mais exótico, mas eu percebi que, pelo menos aqui no Rio, a população segue muito as novelas”.
Além das novelas, Deme conhecia apenas o lado do Brasil chamado por ele de exótico, "o futebol e o carnaval". Descobrir "o lado mais interessante do país" foi uma das motivações que levou o estudante a optar pelo Brasil. A outra razão foi aprender um outro idioma, o português, já que a maioria de seus compatriotas que decidem estudar fora vão para a França, país onde, como em Burkina Faso, se fala o francês.
Idriss Deme é muçulmano e afirma que a única dificuldade que enfrentou durante o processo de adaptação no Brasil foi não pisar em uma mesquita por um mês:
“Muita gente dizia que seria impossível eu encontrar muçulmano no Brasil. Mas agora eu moro na mesquita do Rio de Janeiro. As pessoas me receberam muito bem, foram queridos comigo. Também na faculdade, meus colegas e professores foram ótimos comigo, não posso reclamar de nada”.












Gostei da entrevista de Idriss Deme. Ele tem razão quando diz que os brasileiros desconhecem a África, mas acredito que os africanos também devam ter poucas noções sobre o Brasil. Seria bom saber o que esses estudantes africanos pensam sobre o racismo no Brasil.
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