O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja. Do Rio Grande do Sul ao Norte e Nordeste do Brasil, o grão se espalhou, ganhou o chão e está mudando radicalmente a paisagem em diversos biomas. Os impactos que a expansão vem provocando são os temas dessa série de oito programas especiais da Rádio Nederland, com trinta minutos cada um. Cada programa é dividido em dois blocos de cerca de 15 minutos e pode ser retransmitido livremente pelas emissoras parceiras no Brasil.
Railda Herrero e Mario de Freitas
O grão se adaptou às diferentes latitudes e não para de se expandir, saltando fronteiras em diferentes Estados. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Maranhão, oeste de Minas Gerais e Bahia são áreas de grande expansão da soja. A rápida adaptação no Centro-Oeste tornou essa região de cerrado responsável pela produção da metade da soja do país. A rota do grão em direção à floresta, principalmente no Pará, também está em foco nessa série.
Cientistas e pesquisadores reforçam o debate nessa série de reportagens, que trata ainda de temas como moratória e “soja responsável”. Os programas registram casos de comunidades que resistem aos avanços do modelo agroexportador ou que provam que a floresta de pé é mais rentável aos moradores tradicionais e ao planeta.
Para fazer essa série de programas especiais os repórteres Mario de Freitas e Railda Herrero se adentraram em diferentes biomas. Entrevistaram quem sofre o impacto da expansão da soja e quem ganha com a produção.
As séries de programas 'Vozes Negras no Brasil', 'Vozes Indígenas no Brasil' e 'Holandeses no Brasil', produzidas pelos dois repórteres da Rádio Nederland, foram condecoradas com o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos e pelo Festival de Rádio de Nova York.
Várias faces
Utilizada principalmente no fabrico de ração de animais e na produção de agrocombustível, a soja tem diversas utilidades, além de ser um alimento humano importante. Ela é defendida por alguns como responsável pela modernização do campo brasileiro, pois sua produção tem elevado grau tecnológico, com a colheita quase totalmente mecanizada.
No entanto, é criticada por outros pela concentração de riquezas que promove e pela baixa geração de emprego e renda aos municípios onde germina. Em termos relativos, o número de trabalhadores no campo registrou queda de quase 20% do total da força de trabalho brasileira, conforme indicadores recentes. Especialistas atribuem essa queda ao avanço da soja em campos antes destinados à agricultura familiar ou a produtores tradicionais e extrativistas.
A soja é questionada por ambientalistas e ativistas sociais pelos estragos ecológicos e danos à população local, na medida em que se adentra em biomas como cerrado e Amazônia e, indiretamente, pantanal. Junto com pesquisadores, eles questionam o modo de produção voltado ao mercado externo, baseado na grande propriedade e no uso intensivo de agrotóxicos. Segundo os ambientalistas, a soja no país continua distante dos padrões de produção para merecer o rótulo de sustentável ou responsável.
Programa 1: Expansão e impactos
Programa 2: Pequenos produtores e soja “justa”
Programa 3: MS: campo fértil para grãos e conflitos
Programa 4: A caminho da floresta
Programa 5: A sojicultura no sul do Maranhão
Programa 6: Novas fronteiras da soja no cerrado
Programa 7: Resistência de extrativistas à monocultura
Programa 8: Outra Amazônia possível
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Declaração do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, enviada pela Embaixada do Brasil em Haia em respeito à série de reportagens da RNW sobre soja
IMPACTO AMBIENTAL, DESMATAMENTO, CONSERVAÇÃO DO SOLO E USO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS No que concerne à agricultura, impõe-se mencionar a iniciativa conhecida como a "Moratória da Soja". Em julho de 2006, a ABIOVE (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais), a ANEC (Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais) e suas respectivas associadas comprometeram-se a não comercializar soja oriunda de áreas do Bioma Amazônico que fossem desflorestadas após aquela data. Previsto para durar dois anos, o plano foi renovado e aprimorado em 2009. Organizações Não-Governamentais, como Greenpeace, WWF e "Conservation International", respaldam a iniciativa e participam ativamente do programa, desde sua elaboração e aperfeiçoamento ao monitoramento do cumprimento de suas metas. O sucesso brasileiro na produção de soja é resultado de mais de 30 anos de pesquisas da EMBRAPA e de fundações privadas. Por meio da evolução das práticas de cultivo e do melhoramento genético, logrou-se adaptar a semente às condições de clima e solo existentes no Brasil. Essa é uma das razões que contribuem para que a sojicultura seja, hoje, pouco ofensiva aos ecossistemas nos quais ela se desenvolve, principalmente no Cerrado, onde se concentra majoritariamente o cultivo. Cerca de 80% da soja brasileira é cultivada por meio do sistema do "plantio direto". Tida como a melhor prática de conservação do solo em áreas tropicais, o "plantio direto" não deixa a descoberto o solo, reduzindo substancialmente os índices de erosão e lixiviação. O uso de defensivos agrícolas no cultivo de soja no Brasil respeita os padrões e limites internacionais, não pondo em risco a vida humana. Ressalta-se o eficiente trabalho de coleta de embalagens vazias de agrotóxicos promovido pelos Governos Federal e Estaduais, em conjunto com produtores. No Estado do Mato Grosso, maior produtor de soja no Brasil, a taxa de retorno das embalagens é calculada em cerca de 92%. SOJA TRANSGÊNICA O cultivo da soja geneticamente modificada no Brasil ampara-se em parecer favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO), instância decisória do país em assuntos correlatos aos organismos geneticamente modificados (OGMs). A CTNBIO atestou a segurança, para humanos e para o meio-ambiente, do uso do gene "Roundup Ready" (RR), desenvolvido pela empresa "Monsanto". Com base nesse gene, a EMBRAPA desenvolveu variedades específicas de soja transgênica para as diversas regiões produtoras do país. São múltiplos os benefícios da utilização da soja geneticamente modificada. O gene RR torna a planta tolerante ao Glifosato, herbicida para o controle de ervas daninhas, reduzindo as perdas no cultivo e os custos, facilitando o manejo da plantação e aumentando a produtividade. Assinale-se que outros grandes produtores de soja, como Estados Unidos e Argentina, utilizam amplamente a soja transgênica e que, do lado dos países consumidores, a União Europeia aprovou, em 2008, a importação do grão produzido com o "RR 2", nova versão do gene "RR". REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA Em que pesem as dificuldades inerentes a um país com a dimensão territorial como a do Brasil, verificam-se avanços substanciais relativos à regularização fundiária. Em junho de 2009, o Governo Federal editou a Medida Provisória nº 458, criando o programa "Terra Legal", que estabelece parâmetros para a regularização fundiária de terras públicas na Amazônia Legal. Além de conter a ocupação desordenada de terras e, por conseguinte, evitar choques entre grileiros e posseiros, o "Terra Legal" também auxiliará no combate ao desmatamento. Uma vez formalizada a propriedade da terra, facilita-se a identificação de seus limites geográficos e da pessoa por ela responsável, viabilizando a punição de quem porventura viole normas ambientais. OUTRAS CONSIDERAÇÕES Cabe mencionar que o crescimento da sojicultura brasileira responde diretamente ao aumento da demanda mundial por alimentos. Sendo a mais barata fonte de proteína, a soja, entre outros usos, é largamente utilizada como ingrediente da alimentação animal. A produção de soja no Brasil gera diversos benefícios socioeconômicos, entre eles a geração de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos. A sojicultura caracteriza-se pelo uso de tecnologia avançada, que demanda mão-de-obra altamente qualificada e paga, dessa forma, salários mais elevados. Além de grande geradora de renda e divisas, o cultivo de soja presta relevante contribuição para a interiorização da riqueza no país. Os munícipios que centralizam a produção de soja apresentam, via de regra, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) significativamente superior à média nacional. Noestado do Mato Grosso, entre os vinte municípios de maior IDH, quinze tem na sojicultura sua principal atividade econômica. |











