Radio Netherlands Worldwide

SSO Login

More login possibilities:

Close
  • Facebook
  • Flickr
  • Twitter
  • Google
  • LinkedIn
Início
Segunda-feira 28 Maio RNW - NEWS, ANALYSIS AND BACKGROUND IN 10 LANGUAGES, WORLDWIDE 24 HOURS A DAY, ON RADIO, TELEVISION AND THE INTERNET.

Rémy Ochlik e Mary Colvin, jornalistas vítimas da violência na Síria

Data de publicação22 Fevereiro 2012 - 6:23pm

O jornalista francês Rémi Ochlik, de 28 anos, e a americana Mary Colvin, de cerca de 50 anos, foram mortos nesta quarta-feira em um violento ataque realizado pelo exército sírio na cidade rebelde de Homs, e se somam às incontáveis vítimas deixadas até agora pela repressão do regime de Bashar al-Assad.

Ocklik, fotógrafo da IP3 Press, era, segundo seus companheiros, um profissional de grande talento e um apaixonado por seu ofício, que queria estar sempre "perto da notícia".

O fotógrafo morreu nesta quarta-feira em um bombardeio do exército sírio sobre o bairro de Baba Amr, que atingiu um apartamento transformado em "centro de imprensa" pelos jornalistas que entraram de forma clandestina em Homs, segundo ativistas sírios contrários ao regime de Bashar al-Assad.

"Aos 20 anos, não se tem vontade de morrer. Uma pessoa daria tudo para estar longe, muito longe, e não ter vindo nunca", dizia o fotógrafo ao voltar de sua primeira reportagem no Haiti.

Mas, uma vez superado o perigo, "temos apenas uma necessidade, uma ideia fixa: voltar, sempre voltar". "A guerra é pior que uma droga", acrescentava Ochlik quando tinha 20 anos.

Bonito, de cabelo curto e olhos azuis, este jovem solteiro havia co-fundado em 2005 a agência IP3 Press, cujo objetivo era cobrir a informação de Paris, mas também os conflitos de todo o mundo.

Este "grande profissional" tinha "o costume de cobrir este tipo de situações" perigosas, afirma à AFP seu colega Franck Medan.

"Quando perguntei a Rémi o que queria ser, me respondeu imediatamente: 'Fotógrafo de guerra'", explica a diretora da agência onde o jovem havia trabalhado, Slavica Jovicevic.

"Fiquei impressionada por seu extraordinário talento, são muito escassos os fotógrafos com tanto talento", acrescenta.

Ochlik ganhou o World Press Photo 2012 por suas reportagens na Líbia. Antes, havia trabalhado na República Democrática do Congo em 2008, e retornou ao Haiti durante a epidemia de cólera e as eleições presidenciais de 2010.

Em 2010, cobriu todos os cenários da Primavera Árabe, e foi testemunhas das revoluções na Tunísia e no Egito, e da revolta e da guerra na Líbia.

Já Marie Colvin era uma renomada repórter de guerra para o jornal britânico Sunday Times, cujo tapa-olho no rosto simbolizava o compromisso com o seu ofício .

Nascida nos Estados Unidos, mas vivendo em Londres por muitos anos, cobriu durante sua carreira de 30 anos alguns dos conflitos mais sangrentos do mundo, e mais recentemente informou sobre a Primavera Árabe a partir de Tunísia, Egito e Líbia.

Em seus últimos relatórios poderosos da cidade síria de Homs, registrados poucas horas antes de sua morte, ela descreveu a morte de um menino de dois anos após ferimentos de estilhaços.

"Assisti um pequeno bebê morrer hoje. Absolutamente terrível", disse à rede de televisão BBC de telefone de Homs.

Colvin também falou à ITV britânica e ao Channel 4, além da CNN americana na terça-feira para descrever as cenas de horror em Homs, que tem sido atacada pelas forças do regime de Bashar al-Assad. A determinação de Colvin para contar as histórias de pessoas envolvidas no conflito a levavam há muito tempo ao coração do perigo.

O tapa-olho que ela utilizava era resultado de um ferimento por estilhaços que ela sofreu enquanto cobria a guerra civil no Sri Lanka em 2001, e que lhe tirou a visão de um olho.

Depois de uma temporada de dois anos como chefe do escritório de Paris da agência United Press International, ela se juntou ao Sunday Times como correspondente para o Oriente Médio em 1986.

Colvin tinha consciência dos riscos que corria em sua profissão, conforme afirmou em um discurso em novembro de 2010 lembrado nesta quarta-feira pelo The Times.

"Nossa missão é informar sobre estes horrores de guerra com precisão e sem preconceito", disse. "Nós sempre temos que nos perguntar se o nível de risco vale a história. O que é bravura, e o que é bravata?".

"Nunca foi mais perigoso ser um correspondente de guerra, porque o jornalista na zona de combate se tornou um alvo principal".

© ANP/AFP
RNW - NEWS, ANALYSIS AND BACKGROUND IN 10 LANGUAGES, WORLDWIDE 24 HOURS A DAY, ON RADIO, TELEVISION AND THE INTERNET.