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Terça-feira 21 Maio  

Jihadistas tomam última base do Exército sírio a oeste de Aleppo

Data de publicação10 Dezembro 2012 - 1:27pm

Jihadistas tomaram nesta segunda-feira a base Cheik Souleimane, última base do Exército a oeste de Aleppo, desferindo um duro golpe no regime e reforçando sua presença no norte sírio, o que reduziu o domínio dos rebeldes do Exército sírio livre (ESL).

Ao mesmo tempo, o norte de Damasco, geralmente tranquilo, registrou os confrontos mais violentos em 21 meses de conflitos, enquanto que a periferia da capital foi alvo da artilharia e de aviões. O objetivo do regime era erradicar as bases de apoio dos rebeldes.

Tomando por completo a base de Cheikh Souleimane, "a oposição armada teve uma vitória significativa", disse Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Mesmo que o ESL "tente reivindicar a vitória, ela não pertence a eles. A vitória é do Frente (islamita radical) Al-Nosra e dos grupos aliados", explicou.

Um chefe local do Al-Nosra, um movimento pouco conhecido antes da revolta que abalou a Síria, reivindicou os ataques à AFP.

"Fomos passados para trás pelos islamitas", reconheceu uma fonte do ASL.

Vídeos postados na internet por militantes mostram guerreiros segurando bandeiras da Jihad pela base deserta. Eles dizem pertencer ao batalhão Al-Mouhajirine, ligado à Al-Nosra, e possuem várias baterias antiaéreas.

Abu Jalal, que chefia uma das poucas brigadas da ESL que participaram do ataque, declarou à AFP: "Nós controlamos todas as bases e nenhuma arma química foi encontrada, nem mísseis antiaéreos", algo que era denunciado pelos rebeldes.

Armas químicas, instrumento psicológico De acordo com um jornalista da AFP que assistiu a parte do ataque, muitos combatentes islamitas são estrangeiros, vindos de países árabes.

Um deles afirmou à AFP que pelo menos 20 soldados que tentavam fugir da base foram mortos e cerca de cem foram feitos prisioneiros.

Por todo país, o OSDH, que possui uma rede de militantes e de médicos, contabilizou cem mortos no domingo, e de acordo com um boletim. Nesta segunda-feira, o registro provisório é de 51 mortos, incluindo 26 soldados.

Entre os mortos desta segunda estão dois rebeldes e uma criança, atingida por uma bala perdida, vítimas dos combates mais violentos já registrados no bairro de Roukneddine, no norte de Damasco, segundo o OSDH, que calcula mais de 42.000 mortos na Síria desde março de 2011.

Com o regime cada vez mais acuado, a comunidade internacional se preocupa com a possibilidade do uso de armas químicas pelas autoridades de Damasco, um cenário considerado pouco provável pelos especialistas.

Para Yezid Sayigh, especialista do Carnegie Middle East Center, essas armas são "primeiramente armas psicológicas de terror" porque "não podem ser usadas em zonas onde a presença de tropas hostis se mistura com uma população que apoia o regime, ou contra uma população hostil em zona onde se encontram tropas leais".

Na frente diplomática, os "Amigos do Povo Sírio" se preparam para uma reunião na quarta-feira no Marrocos, onde poderão reconhecer plenamente a Coalizão opositora, e abordar a questão de ajuda humanitária com a chegada do inverno.

O presidente da Comissão europeia, José Manuel Barroso, que recebeu nesta segunda-feira o Prêmio Nobel da Paz em nome da UE, pediu que o mundo aja pelo fim do conflito.

Berlim anunciou a expulsão de quatro colaboradores da embaixada síria para mandar um "sinal claro de sua vontade de reduzir ao mínimo as relações com o regime de Assad".

© ANP/AFP

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