O mandato do novo presidente da França, François Hollande, eleito neste domingo, deve começar em ritmo acelerado, com inúmeros desafios, entre eles nomear o primeiro-ministro, formar o novo governo, tomar as primeiras medidas de emergência, renegociar o tratado europeu em Berlim e viajar para os Estados Unidos para as cúpulas do G8 e da Otan.
"Estamos prontos, prontos para agir e tomar decisões, a mudança acontecerá logo", avisou o socialista.
Hollande deve assumir o cargo oficialmente antes do dia 16 de maio (possívelmente no dia 11, de acordo com uma fonte diplomática) e viajará para os Estados Unidos para seus primeiros compromissos internacionais, nos dias 20 e 21 de maio.
O novo presidente deixou claro antes da eleição que ainda não tinha decidido o nome do seu primeiro-ministro nem dos demais membros do governo.
"Isso dependerá da importância da vitória, do seu significado e da necessidade de contar com a o apoio do Parlamento (as eleições legislativas acontecem nos dias 10 e 17 de junho). Será alguém que conhece bem os deputados e o partido", explicou, antes de acrescentar, brincando, "também precisa ser alguém com quem tenho boas relações, é melhor assim".
Essas declarações podem ser interpretadas como um sinal de que Hollande não escolherá Martine Aubry, presidente do Partido Socialista, com quem é conhecido por manter péssimas relações, mas poderá optar por Jean-Marc Ayrault, líder dos socialistas na Câmara dos Deputados.
O presidente-eleito também avisou que iria tratar de cumprir uma das principais promessas de campanha, a renegociação do pacto fiscal europeu, no qual ele pretende incrementar medidas de crescimento.
"Se vencer a eleição, dois dias depois, enviarei memorando aos chefes de Estado para pedir a renegociação do tratado", explicou Hollande, que não pretende esperar a cúpula da União Europeia, que acontecerá em Bruxelas nos dias 28 e 29 de junho.
Ele já sabe que esta decisão deve desagradar a chanceler alemã, Angela Merkel, que sempre se posicionou contra qualquer renegociação. Por isso, ele pretende efetuar sua pimeira visita oficial na Alemanha, logo depois de assumir oficialmente o cargo, para uma "conversa firme e amigável".
Em seguida, Hollande terá que fazer outra viagem, desta vez para os Estados Unidos, para a cúpula do G8 em Camp David e da Otan em Chicago. Ele deve anunciar sua decisão de retirar as tropas francesas do Afeganistão de forma antecipada, antes do fim do ano de 2012.
Enquanto isso, na França, o novo presidente prometeu "agir rápido". Hollande já publicou uma cartilha para seu primeiro ano de mandato, com "medidas de emergência", entre elas uma decisão simbólica, a de reduzir em 30% o salário do chefe de Estado e dos ministros.
Ele também pretende congelar por três meses o preço do combustível, aumentar em 25% o subsídio concedido às famílias para cada criança escolarizada e fazer ajustes parciais na reforma da aposentadoria iniciada pelo governo de Nicolas Sarkozy.
Com o novo parlamento que será eleito em junho, Hollande pretende definir a trajetória da volta ao equilíbrio orçamentário em 2017, lançar uma reforma fiscal, além de deixar mais transparente a atividade dos bancos ao separar o crédito das ações especulativas.
© ANP/AFP










