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Terça-feira 18 Junho  

Combates deixam 10 mortos na Síria

Data de publicação28 Abril 2012 - 2:26pm

Pelo menos 10 desertores morreram neste sábado em combates contra as tropas governamentais da Síria, onde era aguardado o novo chefe da missão de observadores da ONU, o general norueguês Robert Mood.

Os combates coincidem com o anúncio pelo Exército do Líbano dz interceptação de três contêineres de armas procedentes da Líbia e destinados aos insurgentes sírios. O carregamento incluía metralhadoras e obuses, segundo fontes libanesas.

Damasco e Beirute afirmaram diversas vezes que os rebeldes, que lutam para derrubar o regime de Bashar al-Assad, recebiam armas que entravam clandestinamente através do Líbano.

Enquanto isso, dois cidadãos húngaros que trabalhavam na Síria foram sequestrados por "homens armados não identificados", indicaram as autoridades de Budapeste.

Os combates deste sábado deixaram pelo 10 mortos entre os desertores na região de Damasco, segundo o Observatório Sírio dos Direito Humanos (OSDH), que também informou sobre confrontos nos arredores de um palácio presidencial de Latakia, na costa síria.

Na sexta-feira, o OSDH informou a morte de 14 pessoas em todo o país, incluindo 10 civis, em sua maioria manifestantes baleados pelas tropas do regime nos tradicionais protestos semanais.

As forças do regime abriram fogo contra os manifestantes, apesar do compromisso de Damasco de respeitar o plano do emissário internacional Kofi Annan, que prevê o fim da violência, o retorno do Exército aos quartéis, a libertação dos detidos e o respeito ao direito de manifestação.

Na sexta-feira, uma explosão em Damasco, atribuída pelo governo a "terroristas", deixou 11 mortos e 28 feridos, segundo o balanço oficial.

Assim como nos atentados anteriores em Damasco e Aleppo (norte), o regime prometeu "atacar com mão firme os terroristas".

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão de oposição, acusou neste sábado o "regime criminoso" de estar por trás do atentado, um "ato criminal, que pretende fragilizar ainda mais a segurança e a estabilidade em nosso país e aterrorizar nosso povo".

O CNS afirma em um comunicado que o ataque de sexta-feira tinha como objetivo "abalar o plano (de Annan), que não teve nenhum de seus pontos aplicados até o momento". Também pede uma "investigação internacional urgente" para determinar responsabilidades no atentado.

 Já a imprensa oficial criticou a comunidade internacional por seu silêncio depois do atentado, acusando as Nações Unidas de "encorajar os terroristas". Para o jornal Techrine, ligado ao governo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "evita fazer referências às violações praticadas por grupos armados e se concentra na Síria, como de hábito".

Teerã e Moscou, dois grandes aliados do regime, também acusaram "terroristas" por este ataque. A Rússia indicou neste sábado que esses grupos devem ser "reprimidos com firmeza".

Diante das violações diárias ao cessar-fogo que entrou em vigor em 12 de abril, a tarefa do general Mood, que administrará a chegada de outros 100 membros da missão dentro de um mês, de um total de 300, será complicada.

"Ele está a caminho de Damasco, onde deve chegar amanhã (domingo)", indicou à AFP em Genebra o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi.

Quinze observadores da ONU estão atualmente na Síria. Segundo o porta-voz da ONU, Neeraj Singh, oito ainda estão em Idleb (noroeste), em Deraa (sul), assim como em Homs e em Hama, cidades rebeldes do centro do país.

Mas a lentidão do processo e as constantes violações do cessar-fogo levantam dúvidas sobre a missão. A Anistia Internacional informou que violência provocou pelo menos 362 mortes desde a chegada dos primeiros observadores em 16 de abril.

A Síria enfrenta desde março de 2011 um movimento de protesto cada vez mais militarizado contra a repressão do regime. Em 13 meses, mais de 11.100 pessoas morreram no país, segundo o OSDH.

© ANP/AFP

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