Cinco corpos foram encontrados entre os escombros dos três prédios antigos no centro do Rio de Janeiro que desabaram na noite quarta-feira, enquanto prosseguem as tarefas de remoção de escombros em busca dos 16 desaparecidos, informou o subsecretário da Defesa Civil, Marcio Mata.
"O trabalho para retirar os corpos é a prioridade, assim como a descoberta de sobreviventes, apesar de pouco provável", declarou Mata.
As equipes de resgate continuavam removendo com maquinaria pesada as montanhas de escombros em busca de possíveis sobreviventes do desabamento das construções de vinte, dez e quatro andares, respectivamente, que desabaram por causas ainda desconhecidas.
"Desde ontem à noite montamos um espaço para receber os parentes e familiares de pessoas que trabalhavam nos prédios", informou, por sua vez, o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
O balanço oficial também fala de seis feridos, nenhum com gravidade, assinalou o secretário de Saúde e Defesa Civil, Hans Dohmann.
Os imóveis, muito antigos, desabaram aparentemente por danos estruturais, que provocaram um forte barulho no momento do desmoronamento, informou ainda o prefeito. Eduardo Paes afirmou que nenhuma hipótese está sendo descartada, inclusive de uma explosão, diante dos vários testemunhos neste sentido.
"Mas o mais provável é que não tenha sido nenhum tipo de explosão, e sim um problema estrutural", insistiu.
As construções estavam localizadas perto da praça Cinelândia, no centro histórico da cidade, onde também se encontra o Teatro Municipal e por onde circulam todos os dias milhares de pessoas. À noite, no entanto, a região fica mais deserta, embora muitos trabalhadores ainda possam ser encontrados nos escritórios ou então fazendo 'happy hour'.
Os bombeiros e as equipes de socorro, apoiados por policiais, isolaram a área para facilitar as operações de resgate, enquanto escavadeiras, caminhões de lixo e caminhões-cisterna começaram a circular para a retirada dos escombros.
"As equipes de resgate trabalharam toda a noite com cães de busca. Eles só deixarão de buscar quando estiverem seguros de que não há mais vítimas", afirmou Paes.
O prédio de 20 andares caiu por volta das 20h40 local. Tratava-se de um edifício comercial, vazio à noite, com muitas firmas de advogados. De acordo com várias testemunhas, o terceiro e o nono andar estavam passando por reformas.
Pouco depois veio abaixo o imóvel de dez andares, causando ainda mais pânico. Uma espessa camada de poeira cobriu as ruas e os carros estacionados ao redor.
"Foi tudo muito rápido. Tive sorte de sair", contou um dos feridos ao chegar ao hospital. "O prédio veio abaixo, como se tivesse havido uma implosão. Parecia o World Trade Center de Nova York", comentou, por sua parte, Luiz Trajan, que ouviu um forte estrondo antes da estrutura desabar.
Consternado, Leandro observava seu carro com o teto afundado e coberto de pó branco. O veículo estava estacionado a uns 20 metros dos edifícios sinistrados. "O importante é que não tinha nada lá dentro", acrescentou.
Trinta pessoas que estavam em um prédio vizinho foram resgatadas pelos bombeiros sem problemas.
Cinco operários estavam num dos prédios no momento do desabamento, e um deles, Alessandro da Silva Fonseca, ficou preso no elevador quando tentava escapar. Os demais conseguiram fugir.
"Começou a acabar o ar, não posso respirar, há muita fumaça", contou Alessando através do celular à AFP. Ele foi resgatado são e salvo pelos bombeiros.
Em outubro passado, três pessoas morreram e 17 ficaram feridas numa explosão causada por um vazamento de gás em um restaurante também localizado no centro do Rio de Janeiro.
© ANP/AFP






















