O jovem líder da esquerda radical grega, Alexis Tsipras, está na linha de frente para formar um governo, içado ao primeiro plano, sem dúvida, mais rápido do que ele mesmo pensava, apesar de sua condição de opositor experiente e de sua ampla experiência política.
Para Tsipras, o "rapaz" da esquerda grega de 37 anos, o momento é "histórico", declarou durante seu encontro de terça-feira com o octogenário presidente da República, Carolos Papulias.
Com terno cinza, mas fiel ao seu costume de usar o colarinho da camisa aberta, o jovem político, um pouco parecido com Elvis Presley, estava muito sorridente ao receber do chefe de Estado a missão - quase impossível, diante da composição do Parlamento - de formar um governo.
O estilo descontraído não o impede, segundo disse, de estar consciente da responsabilidade que pesa sobre seus ombros: a coalizão de esquerda radical Syriza, que dirige desde 2008, foi içada à segunda força do país e principal partido de oposição depois das eleições legislativas de domingo.
Com 16,78% dos votos, o Syriza multiplicou por quatro seu resultado nas eleições de 2009 e pos fim ao bipartidarismo que dominava o país desde a queda do regime dos coronéis em julho de 1974.
Nascido apenas alguns dias depois da ditadura, Tsipras construiu o sucesso de seu partido com base na rejeição das medidas "bárbaras" do memorando de acordo entre Grécia e seus interlocutores internacionais, que condiciona os empréstimos de ajuda ao país a um drástico programa de austeridade e reformas estruturais.
"O veredicto do povo (...) exclui um governo que aplica o memorando e o acordo do empréstimo", declarou novamente na terça-feira.
As últimas pesquisas da campanha, quinze dias antes das votações, davam ao Syriza o terceiro lugar. Seu desempenho nas eleições surpreendeu inclusive as próprias fileiras do partido.
"É uma surpresa", disse à AFP Anastassis Galanatis, um estudante de ciências políticas de 21 anos que, na noite da vitória, festejou em uma praça do centro de Atenas junto a centenas de militantes.
A multidão era composta por muitos jovens e veteranos da geração "Politécnica", que participaram da ocupação do Instituto Politécnico de Atenas, desocupado através de uma matança pelos tanques dos coronéis no dia 17 de novembro de 1973.
Alexis Tsipras fez uma ligação entre as duas épocas e foi além: dividiu a campanha com o herói da resistência grega Manolis Glezos, de 89 anos, que retirou a bandeira nazista da Acrópole durante a Segunda Guerra Mundial e que acaba de ser eleito deputado do Syriza.
O próprio Tsipras começou cedo na política, no seio das juventudes comunistas gregas KKE, no final dos anos 80. Ganhou os primeiros galões na rebelião dos liceus contra uma reforma de liberalização do sistema educativo no começo dos anos 90. É deputado desde 2009.
Este engenheiro se juntou logo a correntes do KKE e, junto com outros pequenos movimentos de esquerda, no começo dos anos 2000, integrou a coalizão Syriza, que se distingue dos comunistas por sua postura a favor da Europa.
A esquerda radical grega estreitou, por outro lado, relações com seus homólogos europeus como o partido alemão Die Linke ou, mais recentemente, a Frente de Esquerda do francês Jean-Luc Mélenchon, a quem o Tsipras tinha manifestado apoio durante a campanha presidencial francesa. É, além disso, vice-presidente do partido da Esquerda europeia.
© ANP/AFP










