De Príncipe do Chope a futuro rei Willem IV. De moleque loirinho a especialista em recursos hídricos. E de jovem impetuoso aos 20 a pai amoroso de três meninas. A fotobiografia publicada nesta semana, 'Willem-Alexander, kijk een koning!' (Willem-Alexander, eis aí um rei) oferece um retrato completo da vida do príncipe herdeiro da Holanda. Com os seus altos e baixos. Entremeado de textos picantes.
Os editores se viram diante uma escolha difícil frente a mais de cem mil fotos da agência de notícias ANP. O Príncipe de Oranje é, sem dúvida, o homem vivo mais fotografado da Holanda. "Vê-se o seu crescimento, tanto metafórica como literalmente", diz Mirjam Bekker-Stoop, da ANP.
De ombros caídos
Por exemplo, a foto do primeiro dia de aula de Willem-Alexander no colégio, o Liceu Baarns. O leitor consegue sentir como deveria ser estar na pele de um príncipe herdeiro. Tímido, o garoto de 12 anos corre pelo pátio da escola com os ombros curvados. Foco de atenção de todas as outras crianças. Lá está ele! Reza a lenda que alguns professores sentiam um grande prazer em expulsar o príncipe da sala de aula, diante de toda a classe e em alto e bom som.
Sobre a sua infância, Cor de Horde, ex-editor da revista mensal 'Vorsten' (Soberanos) escreve: "Toda a família é afetada pela depressão do pai e pela crescente contrariedade do primogênito. (...) Pode-se quase qualificar de milagre que o nosso Willem-Alexander ainda assim vingasse".
Príncipe fumante
De acordo com Bekker-Stoop, o príncipe seria um homem emotivo. "Você vê a felicidade no seu rosto. Às vezes, irritação. Tristeza. Veja as fotos tiradas durante a patinação no Dia da Rainha. Para Máxima é provavelmente a primeira vez. Vê-se o medo nos seus olhos. Uma foto muito casual de um homem que leva a namorada pela primeira vez à pista de patinação".
Mas há ainda outras fotos. Vemos um príncipe fumando, alegre, com uma garrafa de cerveja na mão; atrás dele, os destroços de um Ford Sierra após Willem-Alexander haver perdido o controle do volante.
"Intelectualmente limitado"
O conselheiro de estratégias de comunicação e crítico da casa real, Charles Huijskens, vai um passo além. Máxima, seguindo uma dica de ouro, teria tomado dinheiro emprestado para ir a uma festa em Madrid, onde se encontraria "por acaso" com o príncipe. As capacidades intelectuais de Willem-Alexander seriam limitadas. Sua atitude no Binnenhof, a sede da política holandesa, poderia ser descrita como mimada e voluntariosa.
A imagem de Willem-Alexander muda a partir do momento em que passa a se dedicar ao papel de gestor de recursos hídricos. O príncipe mostra-se sério e apaixonado ao mesmo tempo. Lucas Reijnders, professor catedrático de ciência ambiental, descreve em seu livro como o príncipe melhorou concretamente as condições de vida das pessoas. "Curiosamente, nota-se que as atividades de gestão de águas do príncipe herdeiro permanecem até hoje incontroversas", escreve Reijnders. Enquanto os esforços na área de ajuda ao desenvolvimento do Príncipe Claus, pai do príncipe-herdeiro, foram repetidamente criticados e questionados pelos políticos em Haia.
Homem Moderno
O último príncipe que o leitor enontrará é o pai de família. Assim como seu pai, que nos fins de semana ia para o fogão, Willem-Alexander faz o máximo para que sua vida familiar seja o mais normal possível. Margriet van der Linden, da revista feminista 'Opzij', comenta: "Eu vejo um homem moderno, em equilíbrio. Um homem de agora, por volta dos 40, com três filhas que levava sempre a tiracolo. (...) O casamento e a família são o fundamento da sua vida e, portanto, o fundamento da monarquia. Isso parece ser uma escolha consciente de Willem-Alexander".
Agora resta esperar o momento em que a rainha Beatrix (72) renuncie ao trono, cedendo-o a seu primogênito. O registro fotográfico de sua vida até este momento já se encontra, de qualquer modo, pronto.
Ou, como se lê no prefácio: "Se há algo que passa uma imagem acertada da educação, da formação, da orientação e das aparições em público de Willem-Alexander, esse algo são as muitas fotografias nos arquivos da ANP. Seria uma pena guardá-las para nós mesmos em vez de compartilhá-las com o grande público."


































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