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Vivendo num contêiner de navio em Amsterdã
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Amsterdã, Holanda
Amsterdã, Holanda

Vivendo num contêiner de navio

Data de publicação : 15 Março 2010 - 4:21pm | Por Caroline d'Essen (Foto: C. d'Essen)
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Um dos principais problemas enfrentados por jovens que vêm estudar em Amsterdã é a questão da acomodação. A cidade tem uma das densidades demográficas mais altas do mundo. São 393 habitantes por quilômetro quadrado. Isso pode virar uma grande dor de cabeça para o estudante que vem morar por um período na cidade.

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Consciente dessa realidade, a empresa Holandesa Tempo Housing teve a idéia de transformar contêineres de navio em dormitórios. O que podia parecer uma idéia estranha, acabou dando certo. Depois de passar por uma reforma na China, os contêineres chegam em Amsterdã prontos para serem usados, agora já como dormitórios de aproximadamente 25 metros quadrados, com cozinha e banheiro privativos.

Susto
A estudante portuguesa, Sofia Cerqueira, confessa que se assustou quando descobriu que moraria em um contêiner. “Minha primeira reação foi ficar um pouco ansiosa, afinal a imagem que temos de um contêiner não é das melhores. Depois comecei a falar com outras pessoas, ver fotos e acabei me acostumando com a idéia. Quando finalmente entrei no contêiner percebi que ele era espaçoso, confortável e gostei. Acho que o medo passou muito rápido.”

Complexo
O primeiro complexo de contêineres foi aberto em 2006 na região sul de Amsterdã, com um total de mil contêineres - a maior comunidade de contêineres de navio do mundo. Alguns anos depois, mais 1500 foram instalados no subúrbio de Diemen e em outras partes de Amsterdã.

Apesar do aparente sucesso do empreendimento, a satisfação dos estudantes não é completa. “Esses contêineres eram para ser temporários e estão aqui há mais tempo que o previsto, então os problemas começam a aparecer: o meu aquecedor não funciona muito bem e há uns barulhos esquisitos da ventilação”, explica Sofia.

Tremores

A estudante filipina May Belle Guillergan, que tem seu quarto localizado ao lado da lavanderia - onde se encontram 3 máquinas e lavar e duas secadoras – diz que quando as máquina são ligadas o chão do seu quarto começa a tremer. “No começo fiquei muito assustada, pois não sabia o que estava acontecendo. Agora já estou acostumada e até brinco com os copos tremendo em cima da mesa”.

Entretanto, nem todos os estudantes têm a índole serena de May. Frederik Fisher, estudante alemão que também teve problemas em seu contêiner, chegou a ir até a Comissão de Alugueis para averiguar se era justo o que estava pagando. “Meu aquecedor não funcionava e a água quente para o banho durava menos que cinco minutos. Segundo a Comissão, o aluguel do contêiner deveria ser bem mais baixo, mas como o nosso contrato é de menos de um ano, não há nada que possamos fazer”, lamenta.

Diferenças
Enquanto os estudantes internacionais pagam cerca de 470 euros por mês por um quarto com cozinha e banheiro privativo, um estudante holandês paga pela mesma habitação cerca de 150 euros a menos. Segundo a imobiliária que administra o complexo, a diferença é justificada pelo fato do quarto deles não ter mobília, dos estudantes internacionais não serem colocados numa lista de espera (como é o procedimento holandês) e de usufruírem de serviços especiais do zelador do contêiner, que pode ser chamado “até para trocar uma lâmpada ou matar um rato”.

O estudante holandês Jan Overgoor acredita ser justo que os estudantes internacionais paguem mais. “Talvez a diferença não devesse ser tão grande, mas certamente eles devem pagar um pouco a mais, uma vez que têm mais serviços incluídos no aluguel.”

Lista de espera
Apesar de algumas reclamações e problemas, ainda assim muitos estudantes acabam optando por ficar nos contêineres, devido à dificuldade de encontrar acomodações em Amsterdã. Segundo a Tempo Housing, ainda há pessoas na lista de espera para conseguir um lugar em um dos contêineres.

“Se eu tivesse a opção de procurar outra acomodação, eu provavelmente ficaria aqui. Não teria tempo, nem oportunidade para procurar outro quarto, pois não é fácil encontrar lugares para viver aqui em Amsterdã. Ainda que essa acomodação seja relativamente cara, seria logisticamente muito complicado buscar outra coisa”, justifica o estudante português João Marques.

  • Sofia Cerqueira, confessa que se assustou quando descobriu que moraria em um contêiner.<br>&copy; Foto: Caroline d&#039;Essen - http://www.radioholanda.nl
  • &quot;Mesmo se eu tivesse a opção de procurar outra acomodação, eu provavelmente ficaria aqui&quot;, diz João Marques.<br>&copy; Foto: Caroline d&#039;Essen - http://www.radioholanda.nl
  • Complexo de contêineres: Depois de passar por uma reforma na China, os contêineres chegam em Amsterdã prontos para serem usados.<br>&copy; Foto: Caroline d&#039;Essen - http://www.radioholanda.nl
  • Muitos estudantes acabam optando por ficar nos contêineres, devido à dificuldade de encontrar acomodações na capital holandesa.<br>&copy; http://www.radioholanda.nl
  • Corredor de um dos complexos de contêineres em Amsterdã.<br>&copy; Foto: Caroline d&#039;Essen - http://www.radioholanda.nl

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