Décimo programa da série 'Vozes das Mulheres do Brasil'.
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Railda Herrero e Mario de Freitas
Esse programa da série "Vozes das Mulheres do Brasil" retrata a violência de gênero na região da Zona da Mata pernambucana. Apesar das dificuldades em quantificar os números, pesquisas mostram o acentuado flagelo nessa região de belas paisagens, machista demais, onde a dependência econômica das mulheres é extrema.
O SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia, em conjunto com a Universidade de São Paulo, realizou uma pesquisa inédita que relacionou a violência contra as mulheres e a saúde. Verônica Ferreira, dessa instituição com quase três décadas de trabalho, analisa, nesse programa, os resultados das pesquisas feitas em delegacias e serviços públicos de atendimento à mulher na região.
"Uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência em suas vidas, diz Verônica. Além de sofrerem com a falta de atendimento adequado, muitas vezes, segundo Verônica, na hora de fazerem as denúncias, ainda têm de enfrentar acusações de terem promovido a violência.
Bela e triste área
Da cidade de Barreiras, Maria Barbosa de Lima, ou Penha, que coordena o Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência Infanto-Juvenil do Litoral Sul de Pernambuco, relata casos ilustrativos da violência sofrida pelas mulheres na região. A dependência econômica nessa região extremamente pobre, tradicional produtora de cana-de-açúcar, com trabalhos sazonais apenas para cortadores, compõe o quadro que ajuda a explicar a origem da violência.
Rosilda da Conceição, espancada pelo marido quase até a morte durante a gravidez na adolescência, é parte desse retrato de dependência e baixa escolaridade. Nem dar queixa na delegacia ela pôde por causa da ameaça de morte do marido na época. O filho menor sofre de distúrbios mentais, vítima das sequelas da violência sofrida pela mãe.
Nesse programa, Rosilda e Dona Ana, que foi vítima de estupro, relatam seus casos, que viraram números na estatística da falta de punição para o agressor. Desorientação e choque ainda são parte do cotidiano dessas vítimas, que tiveram e têm de conviver com a falta de atendimento adequado, por parte das autoridades policiais e médicas.
Além de casos reais e estatísticas, as entrevistadas nesse programa alertam para os sinais da violência iminente e como evitá-la. "É necessário romper com as situações de controle logo de início, pois elas indicam a violência que está por vir", diz Verônica Ferreira, do SOS Corpo, em Pernambuco.
A capacitação e preparação dos profissionais dos serviços públicos e políticas públicas para prevenirem a violência, como autonomia econômica e educacional, são necessárias para mudar esse quadro, avaliam especialistas entrevistadas nesse programa.













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