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Tráfico de pessoas: vítimas são envolvidas em armadilha fatal
Retrato de Myrtille van Bommel
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Hilversum, Holanda
Hilversum, Holanda

Tráfico de pessoas: vítimas são envolvidas em armadilha fatal

Data de publicação : 2 Fevereiro 2012 - 5:09pm | Por Myrtille van Bommel (ANP)
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Tráfico de seres humanos: o policial Henk Werson esbarrou por acaso com o tema nos anos ‘90. Na época ele se surpreendeu com o fato de que as vítimas não queriam contar sua história. Hoje ele sabe por quê: elas estão presas numa rede de dependência e exploração. ‘A armadilha fatal’: sob esse título Werson escreveu um livro sobre suas experiências.

Durante a investigação de um possível caso de assassinato, Werson chegou em 1995 a uma rede de prostituição. Sob ameaça de violência extrema, mulheres são obrigadas a vender seus corpos. E nunca é o suficiente, como Werson descobriu na escuta deste telefonema entre Andrej e Samantha:

Andrej: “Escute querida, você pode ter pagado sua dívida, mas minha renda está diminuindo. E isso eu não aceito. Não se esqueça de onde você vem, puta. Suas tetas são sua fonte de renda e se você não ganhar mais dinheiro eu ponho piercings nos seus mamilos e te prendo por aí com uma corrente, entendeu?”

Quando Werson, durante uma outra escuta telefônica, fica sabendo que a ameaça realmente foi executada, ele e seus colegas intervêm. As mulheres são detidas e interrogadas. Werson imagina que elas estejam felizes por terem sido resgatadas e que queiram contar sua história. Mas elas negam tudo e dizem que trabalham voluntariamente na prostituição. O policial não consegue entender.

Processo de aprendizado
Hoje ele sabe como as coisas funcionam. “Apesar de nós sabermos que elas são espancadas, todo seu dinheiro é tomado e tudo o mais, no começo elas negam. Dizem: foi minha culpa.”

Vítimas de tráfico de pessoas são altamente traumatizadas. Sua personalidade lhes foi roubada, a violência é a norma ao seu redor e qualquer sinal de humanidade parece ter desaparecido. Mas mulheres que trabalham ilegalmente na Holanda também desconfiam da polícia. Elas acham que os agentes são corruptos.

Confiança
Werson e seus colegas agora utilizam outros métodos para dar às mulheres a chance de contar sua história. E ganhar sua confiança é fundamental.

Ajuda a vítimas de tráfico de pessoas na Holanda

Durante a investigação a justiça busca o máximo de evidências possíveis contra o agressor. A vítima – em muitos casos ilegal na Holanda – é abrigada e protegida.

Vítimas têm o direito de permanecer na Holanda por três meses (a chamada regra B9). E quando tomam parte de um julgamento sua permissão de permanência pode ser prolongada. Em caso de condenação do agressor, elas recebem um visto de permanência por tempo indeterminado.

Os que não entram nesta regra são deportados a seus países de origem, onde recebem um pós-tratamento, segundo acordos feitos com a Holanda.

Vítimas de tráfico de pessoas vêm em geral do Oriente Médio, leste europeu, África, Ásia e América do Sul. Sobre o número estimado, Werson não quis falar.
 


“Elas têm que estar tranquilas, você não pode forçar uma declaração. Então, a primeira coisa que fazemos com vítimas de tráfico humano é explicar todas as leis. Nós as fazemos pensar a respeito e cuidamos para que o contato seja mantido. Elas estão numa gangorra: contar ou não contar?”

Diferentes histórias
Mesmo assim é difícil, sabe Werson. Quando se chega a um processo penal, estas mulheres traumatizadas têm que contar sua história muitas vezes. E com frequência elas não são consistentes, fazendo com que a defesa faça uso disso para dizer que a vítima não é crível.

Por isso Werson é a favor de um exame psíquico padrão da vítima. Assim seu testemunho pode ser melhor avaliado.

Investigando os agressores
A polícia também está se concentrando cada vez mais na obtenção de provas contra os agressores. Quando se quer encontrar sinais, o tráfico de pessoas é perceptível, diz Werson.
“O homem que dá um tapa e pega o dinheiro de uma prostituta. Ele usa a violência para retirar o ganho que ela acabou de ter com um cliente. É preciso então ver o que já se sabe sobre aquela pessoa. E não é tão difícil.”

“Mas - ele complementa - você só pode realmente fazer alguma coisa quando todas as instâncias envolvidas, da prefeitura ao serviço de saúde, estão preparadas para fazer denúncias quando houver sinais.”

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