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Suriname: rota de meninas aliciadas.
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Paramaribo, Suriname
Paramaribo, Suriname

Suriname: rota de meninas aliciadas

Data de publicação : 24 Abril 2009 - 12:00am | Por RNW Radio Netherlands Worldwide
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Nono programa da série 'Vozes das Mulheres do Brasil'.

Para baixar este programa, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção 'salvar'.

Railda Herrero e Mario de Freitas

Esse programa da série "Vozes das Mulheres do Brasil" trata da movimentação de brasileiras, a partir da região norte do país, em busca de melhores condições de vida. Um dos principais destinos desse tipo de movimento migratório é o Suriname. De lá, muitas se direcionam à Europa, com destino à Holanda.

Oficialmente chamado de República do Suriname, esse país do nordeste da América do Sul é limitado ao norte pelo oceano Atlântico, a leste pela Guiana Francesa, ao sul pelo Brasil. Depois de se tornar uma parte autônoma da Holanda em 1954, o Suriname conseguiu a independência em 1975. Um regime militar dominou o país nos anos 80 até que a democracia foi restabelecida em 1988.

A população do Suriname é constituída por vários grupos raciais, étnicos e culturais. A maior percentagem, cerca de 37% da população, corresponde aos chamados "hindustani", descendentes de imigrantes indianos que chegaram durante o século 19. Seguem-se os crioulos, descendentes de escravos africanos frequentemente misturados com brancos, com cerca de 31%.

Garimpo
A busca por oportunidades no garimpo é o principal atrativo do Suriname. Esse também é o motivo que transforma o país em porta de entrada de mulheres aliciadas no Brasil por organizações criminosas de tráfico de pessoas para serem exploradas na prostituição. O embaixador José Luis Machado e Costa afirma que esse é um problema que vem recebendo uma atenção cada vez maior das autoridades brasileiras. Nesse programa especial, o embaixador explicou a situação oficial dos brasileiros, enquanto representantes de ONGs, que atuam para minorar os problemas dessas mulheres na região, deram detalhes sobre os motivos que levam as meninas a emigrarem e os problemas enfrentados.

Marcel Haseu, integrante da ONG Só Direitos, que atua na região norte, realizando o trabalho de conscientização de populações em situação de vulnerabilidade, fala, nesse programa, sobre os resultados de uma pesquisa realizada pela entidade, que identificou como as mulheres são seduzidas por essas redes de aliciamento. Apesar das dificuldades enfrentadas por essas mulheres, Marcel explica que, em geral, elas "aceitam a violência como normal, inevitável, que têm de se submeter à violência". Segundo ele, essas mulheres não se identificam como vítimas, por estarem vindo de uma situação econômica extremamente difícil e complicada.

Aliciamento
Em geral, essas mulheres são vítimas de redes de aliciamento que realizam tráfico de pessoas para o trabalho na prostituição. Um problema que preocupa autoridades brasileiras no Suriname, que pouco podem fazer para interferir. Por questões diplomáticas. Segundo Marcel, esse tipo de exploração é tão comum que já se tornou corriqueiro para as pessoas que vivem naquele país ver mulheres brasileiras na prostituição.

Nossa reportagem traçou um quadro da realidade das mulheres brasileiras no Suriname, em geral, muito jovens. Nas conversas nas ruas, igrejas, clínicas e clubes, fica claro que a "ocupação" delas é encarada naturalmente. A quantidade de brasileiros e brasileiras no Suriname é tão expressiva, que existe até mesmo um programa de rádio dirigido especialmente a eles. Veiculado por uma emissora católica, o programa é apresentado pelo padre Virgílio da Silva. Esse profundo conhecedor das rotas que levam as meninas ao Suriname, também ajuda a explicar a situação por elas vivida no país vizinho.
 

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