Durante a Segunda Guerra Mundial, a legião holandesa das ‘Waffen-SS’ (tropas SS), ala militar da polícia política do estado nazista, participou ativamente do Holocausto. O fato foi comprovado pelo historiador holandês Evertjan van Roekel. No passado, os holandeses que integravam as Waffen-SS alemãs diziam ser simplesmente soldados que combatiam no fronte. Um estudo de seus diários revela agora uma outra faceta, muito mais sinistra.
O jurista e historiador Van Roekel define o resultado de sua minuciosa investigação como ‘a ponta do iceberg’, para a qual analisou oito diários de SS holandeses que tomaram parte na Operação Barbarossa, a grande ofensiva alemã contra a Rússia, em julho de 1941. Em três dos oito diários o historiador encontrou passagens com descrições de crimes cometidos contra judeus na Ucrânia, quando o país ainda integrava a União Soviética.
Esses fragmentos são eloquentes, comenta Van Roekel, porque neles “está explicitamente escrito que eles causaram a morte de judeus em Tarnopol, na Ucrania, e detalham que lhes queimaram a barba, os golpearam com pauladas, torturaram e por último os mataram”.
Em dois dos três diários mencionados são descritos os fatos ocorridos em Tarnopol e em um terceiro diário são citadas as crueldades das tropas SS na localidade portuária de Mariopol. “Eram apenas algumas frases: ‘Encontramos estes 13 mil judeus, mas nunca regressarão vivos’ – ali morreram. Poucas palavras que dizem muito, em minha opinião”, diz o pesquisador.
Os documentos analisados por Van Roekel estão há muitos anos nos arquivos do Instituto Holandês de Documentação sobre a Guerra (NIOD), e já foram mencionados em publicações anteriores relacionadas com o papel dos SS holandeses. Mas apesar disso, as investigações anteriores omitiram as passagens sobre o Holocausto. Como é possível que algo assim tenha acontecido?
Segundo o pesquisador, ninguém se deu o trabalho de investigar. “Eu fiz esta investigação durante meus estudos. Li todos estes diários do princípio ao fim. E nesta enorme quantidade de texto se ocultavam passagens que revelavam estes fatos assustadores.”
O historiador lembra que, pelos três diários citados, não se pode concluir que a totalidade dos holandeses que participou das SS cometeu genocídio. Para isso seria necessário realizar uma investigação mais exaustiva, afirma.
Quase 69 anos depois dos acontecimentos descritos, e quase 65 anos após o término da Segunda Guerra, ainda não é possível encerrar o capítulo holandês do Holocausto.
























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