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Mogadishu, Somália
Mogadishu, Somália

Somália: o Afeganistão da África?

Data de publicação : 25 Junho 2009 - 3:16pm | Por Hélène Michaud
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Analistas estão alertando que a Somália pode, em breve, tornar-se o Afeganistão da África. Com um número crescente de militantes do Talibã entrando no país e trazendo suas táticas de guerra, como os ataques suicidas, que antes não existiam na Somália, a segurança vem piorando rapidamente.

Na capital, Mogadishu, grupos islâmicos insurgentes estão intensificando, com suporte de combatentes estrangeiros, os ataques ao enfraquecido governo transitório, que é apoiado pela ONU.

 

Há rumores de que membros do Talibã estejam chegando em massa à região, vindos do Paquistão e Afeganistão, junto com militantes voluntários do Oriente Médio.

 

“Há até mesmo ugandenses, europeus e norte-americanos convertidos entre eles. Os combatentes estrangeiros têm sua própria cadeia de comando e são aliados ao principal grupo militante da Somália, o Al-Shabab. Com isto eles estão ganhando influência”, diz Jan Abbink, pesquisador do Centro de Estudos Africanos de Leiden, na Holanda.

 

O Al-Shabab já admitiu ter relações com a Al-Qaeda. Os combatentes estrangeiros, convocados para lutar na chamada ‘guerra santa’, veem a Somália como seu novo fronte, similar ao que formaram anteriormente na Ásia. E estão levando consigo dinheiro, armas, contatos e campos de treinamento.

 

Entretanto, por causa de divisões internas, os grupos insurgentes não têm conseguido tirar vantagem deste aumento do apoio externo e da fraqueza do governo transitório em Mogadishu, como explica Mahad Mussa, coordenador da Nedsom, fundação holandesa dedicada à diáspora na Somália.

 

“Os insurgentes estão divididos em clãs que controlam certas regiões de Mogadishu. O que os une agora é o desejo de derrubar o governo apoiado pela Organização das Nações Unidas”, diz Mahad Mussa.

 

De acordo com o professor Jan Abbink, os clãs também são fortemente unidos pelo islã e pelo desejo de estabelecer um regime teocrático no país. E isso, ele acredita, supera todas rivalidades.

 

“Há uma agenda islâmica emergindo na Somália que não existia antes, e não devemos subestimar isso. Os clãs não vão se desmembrar imediatamente uma vez que tomem o poder. Esta é uma conclusão errada de pessoas que não conhecem a profundidade das transformações na Somália.”

 

Já Mahad Mussa discorda disso. Se os insurgentes islâmicos conseguirem tomar a capital Mogadishu, ele acredita que o interesse de cada clã irá prevalecer quando tentarem estender seu controle para o restante do país.

 

“E aí teremos o que já tivemos nos últimos 18 anos: muitas facções dentro do país e mais violência ao passo que cada clã tenta vencer o outro.”

 

A instabilidade já é sentida nos  países vizinhos da Somália e é possível que países como Quênia e Etiópia fiquem tentados a intervir. Isto confirmaria o cenário de ‘Afeganistão da África”, acredita Jan Abbink.

 

“Teremos uma fonte de instabilidade no leste da África que afetará toda a região e vai requerer todo tipo de apoio militar e humanitário da comunidade internacional.”

 

Tanto o professor Abbink quando Mahad Mussa acreditam que o pior ainda pode ser evitado se a comunidade internacional agir logo, preferencialmente, em no máximo um mês.

 

Apesar do apelo de países do Ocidente e da União Africana para aumentar o apoio internacional ao governo federal somali e reforçar o contingente da União Africana no país, ainda não houve nenhuma medida concreta. Os 200 milhões de euros prometidos em uma conferência em Bruxelas, em abril deste ano, ainda não foram recebidos.

 

Enquanto isso, civis continuam a sofrer com os combates: de acordo com informações da Agência da ONU para Refugiados (UNHCR), quase 160 mil pessoas fugiram da capital Mogadishu nas últimas duas semanas.

Foto via Flickr:qoriley

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