Irregularidades durante as eleições municipais na semana passada levaram a uma preocupação generalizada sobre a solidez do sistema eleitoral holandês. Fiscais virão de longe para monitorar as eleições nacionais em junho.
O partido trabalhista PvdA continua sendo o vencedor das eleições municipais em Roterdã, após a recontagem de mais de 200 mil cédulas de votação. Centenas de funcionários públicos recontaram os votos por mais de 16 horas em um centro esportivo para descobrir que o Partido do Trabalho na verdade teve uma vantagem maior em relação a seu rival local, o Leefbaar Rotterdam (Roterdã Habitável), que pediu a recontagem. Mas a diferença foi de cerca de 700 votos, apenas.
A recontagem foi a primeira do tipo em uma grande cidade holandesa, mas a pequena margem de vitória não foi a única razão. Uma equipe que filma um documentário captou cenas em locais de votação onde, entre outras coisas, não era respeitada a privacidade do voto.
Isso abriu as comportas e começaram a chover denúncias de irregularidades em Roterdã. Entre elas:
- mais de uma pessoa na cabine de votação
- intimidação nos locais de votação
- preenchimento da cédula de outra pessoa
- funcionários eleitorais dando conselho de voto
- pôster de um partido em um local de votação
- pessoas reunindo cédulas de não-votantes para votar em seu próprio partido
A vice-ministra responsável pelas eleições, Ank Bijleveld, está analisando estas reclamações. E o tempo urge, porque já começam os preparativos para as eleições para o parlamento, dia 9 de junho.
Como diretor de um centro de estudos sobre assuntos multipartidários, Roel van Meijenfeldt já foi observador em eleições de diversos países e diz que as irregularidades que acontecem na Holanda não são comparáveis ao que se vê em novas democracias.
”A eleição foi muito tranquila, mas por causa da polarização na arena política na Holanda, foram severamente escrutinadas. Isso tem a ver com o fato de que agora as pessoas tentam influenciar as eleições, uma característica que você encontra em todo o mundo.”
Mesmo assim, as irregularidades na Holanda são preocupantes. E Meijenfeldt vai ajudar a certificar que as próximas eleições parlamentares aconteçam de maneira livre e justa:
“O alarme é muito útil. Temos parceiros em vários países e continentes, como Gana, Quênia, Bolívia e Indonésia. Convidaremos nossos parceiros para estar na Holanda durante as eleições, para que também possam monitorar o sistema holandês. Assim fazemos com que seja uma ação inteiramente recíproca.”
Para Roterdã, os resultados da recontagem ainda não marcam o fim da história. Marco Pastors, do partido Leefbaar Rotterdam, não aceitou o resultado. Ele vai manter sua posição até que o comitê que investiga outras irregularidades divulgue seu relatório final.






























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