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Cairo, Egito
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Samira Ibrahim: a menina mais corajosa do Egito

Data de publicação : 7 Fevereiro 2012 - 1:02pm | Por Karima Idrissi (Imagem: PRI's The World)
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Samira Ibrahim é considerada a menina mais corajosa do Egito. No início dessa semana, ela compareceu novamente diante de um tribunal militar. A egípcia de 25 anos apresentou uma queixa contra os militares por estupro após ser submetida a um teste de virgindade. "Desde a revolução, as mulheres estão sob dupla pressão: dos poderosos e dos islamitas", conta ela à Radio Nederland.

Por Karima Idrissi e Jannie Schipper

Em 9 de março de 2011, Samira Ibrahim e outras dezesseis meninas foram presas na praça Tahrir. Os quatro dias que passou na prisão foram como um grande pesadelo na vida dela. Samira diz ter sofrido diversas formas de tortura física e mental.

Um oficial obrigou a ela e às outras meninas a se despirem na presença dos diretores da prisão, outros soldados e oficiais. Elas ouviram que teriam de ser submetidas a um exame para determinar se ainda eram virgens. Samira apresentou uma queixa contra os militares por estupro. Em 27 de dezembro de 2011, um juiz proibiu a prática de testes de virgindade.

Obsceno
Vitória? Em parte, porque ao mesmo tempo a queixa dela foi suavizada por um tribunal militar, sendo convertida para "atentado aos bons costumes", delito não penalizado pela lei egípcia. "Depois de ter reconhecido que os testes de virgindade aconteceram, o tribunal militar atua como se apenas tivessem sido pronunciadas palavras obcenas", irrita-se Samira. "Isso comprova que os militares estão sendo protegidos."

Ela não espera muito do processo. "O tribunal não é independente. O que acontece no meu caso é uma peça de teatro, dirigida e executada pelo conselho militar". Ainda assim, ela está decidida a lutar pelos seus direitos. Para ela, o melhor seria que os militares tivessem de responder diante de um tribunal internacional.

Menina corajosa
Algumas vezes, Samira é chamada de "a menina mais corajosa do Egito". Ainda que ela ache graça do termo, sabe muito bem que não anda pelo caminho mais fácil. Samira diz que desde criança já era chamada de obstinada e desde 2003 também diz ser ativista pelos direitos humanos. Por iniciar um processo contra os militares, Samira perdeu seu emprego de diretora de marketing. Ela também sofreu ameaças e, com frequência, ouve que "melhor seria não frequentar mais a praça Tahrir".

"Os únicos que me apoiam são meus parentes." Samira é uma heroína para suas irmãs mais novas e seu irmão. Seu pai, um "ativista de esquerda com simpatia pelo islamismo", a apoia decididamente. Ele conhece as atrocidades descritas pela filha por experiência própria, por ter sido preso quando o ex-presidente Hosni Mubarak estava no poder.

Página de apoio no Facebook
"Desde a revolução, as mulheres não sofrem apenas as intimidações sexuais que sempre sofreram no Egito", diz Samira, "mas também a pressão de poderosos injustos e islamitas".

Devido a isso, as mulheres parecem ainda estar sendo colocadas em uma posição na qual os outros as condenam. Enquanto Samira ganhou uma página de apoio no Facebook e manifestações estão sendo organizadas para ela, a ativista Aliaa Al-Mahdi está cada vez mais isolada por ter protestado contra as autoridades publicando fotos nuas de si mesma.

Samira é uma das poucas que expressa apoio à sua compatriota. "Ainda que Aliaa talvez se comporte de maneira um pouco diferente de nossas tradições e costumes, ela continua sendo uma egípcia que tem toda a liberdade de se expressar como ela quiser".

Proteção dos homens
As mulheres precisam agir, afirma Samira Ibrahim. O cordão, formado por homens nas recentes manifestações, com o objetivo de proteger as mulheres, pode ser simpático, mas não é necessário, segundo a ativista. "Não preciso de homem para me proteger, sei me proteger. Não sou fraca".

Samira também pergunta "onde estavam os homens para nos proteger quando as outras meninas e eu fomos obrigadas a nos despir em público?"

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