Não raro os brasileiros que vivem no exterior se incomodam com a imagem que estrangeiros têm do país, em geral limitada aos clichês do samba e do futebol. Mas às vezes também é preciso admitir que estas duas artes – o samba e o futebol –, realmente nos representam muito bem. Este com certeza foi o caso do show da Velha Guarda da Portela no Tropentheater, dentro da programação do Brasil Festival Amsterdam.
Representantes da realeza do samba portelense, os dez músicos fizeram tremer de emoção o coração dos brasileiros na platéia e de quebra ainda conseguiram fazer com que até os holandeses se levantassem da cadeira pra dançar.
Membros históricos
Com 40 anos de história, o grupo criado por Paulinho da Viola em 1970 reúne compositores e membros históricos da Portela, como Iranette Ferreira Barcellos, a tia Surica - hoje com 70 anos, e desde os quatro na Portela.
“Eu comecei de baianinha, saí na ala do coro e fui intérprete em 1966 do samba do Paulinho da Viola ‘Memórias de um Sargento de Milícias’. Em 80 comecei a sair em ala e depois me integrei na Velha Guarda, e é onde eu estou até hoje. Graças a Deus! Tenho muita honra e orgulho de fazer parte desta família portelense”, diz tia Surica.
Nascida na Portela
Outra pastora da Velha Guarda é Áurea Maria, filha do compositor Manacéia – autor, entre outros, de sambas como ‘Quantas Lágrimas’ e ‘Doce Melodia’.
“Eu posso considerar que nasci na Portela. Há 59 anos eu sou ligada à Portela através dos meus pais. Meu pai, Manacéia, foi para a Portela aos seis anos de idade, e com ele também eu comecei a frequentar a Portela. Costumo dizer que quando minha mãe estava grávida e eu já era portelense”, diz Áurea. “É uma relação maravilhosa, porque se torna uma relação familiar. A Portela faz parte de nós. Somos integrantes da família portelense.”
Há dez anos na Velha Guarda, Áurea explica que a idade não é importante para fazer parte do grupo:
Academia do samba
“O critério da Velha Guarda é muito interessante, porque não é pela idade, é pela integração à Portela. Tem que ter um histórico, um passado na escola. O Monarco (compositor e também membro da Velha Guarda, que infelizmente não participa desta turnê europeia) costuma dizer que é como se escolhe um membro da Academia de Letras. Tendo esse passado positivo, favorável, aí você veste o fardão da Velha Guarda. Hoje é uma outra formação porque, infelizmente, da primeira formação a grande maioria já está com Deus. E como o propósito da Velha Guarda da Portela é não deixar que o nome das pessoas que a iniciaram vá para o esquecimento, então este grupo vai sendo renovado.”
Pela primeira vez na Holanda, o grupo fez um show memorável. E a julgar pela reação da platéia, que cantou junto quase todas as músicas, a missão de manter vivos os sambas dos grandes compositores portelenses está mais que cumprida.
* A Velha Guarda da Portela se apresenta nos próximos dias também no festival Europalia Brasil, na Bélgica, com shows dia 14/10 em Borgerhout, dia 15/10 em Bruxelas, e dia 16/10 em Valenciennes.




































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