A cidade do Rio de Janeiro quer se tornar a capital brasileira do uso da bicicleta. Até 2016, quando sediará as Olimpíadas, a cidade pretende duplicar o número de ciclovias, chegando a um total de 300 quilômetros. O desafio: mudar da cultura do carro para a do transporte público.
A finalidade de ampliar a rede cicloviária é possibilitar que as pessoas deixem de utilizar o carro e passem a pedalar e, com isso, levar uma vida mais saudável, poluir menos e economizar. Por enquanto, a parte da população que possui carro, utiliza a bicicleta apenas como forma de lazer, servindo-se das ciclovias que ficam na zona Sul, a área nobre da cidade.
Mas a maioria que utiliza a bicicleta para se locomover pertence às classes mais baixas. Segundo o subsecretário de Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro, Altamirando Fernandes Moraes, "essas pessoas também sonham em ter um carro e parar de pedalar. "Equipamos a zona Oeste (a área mais afastada do centro) com ciclovias e bicicletários para incentivar o uso da bicicleta entre essa população".
Modernas e bem sinalizadas, as ciclovias e ciclofaixas dessa região seguem a linha do trem. Cada estação também foi equipada com bicicletários, o que permite aos moradores deixar a bicicleta em local apropriado na hora de fazer a conexão com o trem para se dirigir ao trabalho, por exemplo.
Participação holandesa
"Observa-se que pessoas de todas as classes sociais já andam de bicicleta na cidade do Rio de Janeiro", afirma Roelof Wittink, embaixador da Dutch Cycling Embassy. "As pessoas mais pobres também as utilizam para transportar objetos. Para eles, é caro chegar ao seus destinos, o que faz com que a necessidade da bicicleta seja visível entre essa população. Para aqueles que possuem carro, o uso da bicicleta poderá ser uma escolha no futuro."
Na opinião de Wittink, ainda falta muito para que o Rio de Janeiro se torne a capital brasileira da bicicleta. "Apenas 4% da população da cidade pedala como meio de locomoção. E estima-se que durante eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas esse número suba para 6 a 8%".
Além de um sistema de transporte público que motive os motoristas a deixar o carro em casa, é preciso criar facilidades de porta a porta: desde o momento de ter um local apropriado para deixar a bicicleta em casa, passando pelas ciclovias e a segurança no trânsito, bicicletários espalhados pela cidade e até mesmo a instalação de chuveiros nos locais de trabalho, garantindo o conforto de quem vai começar um dia de trabalho, opina o também diretor da I-CE, associação que oferece a expertise holandesa para tornar as cidades pedaláveis.
A I-CE já prestou assessoria a diversas cidades brasileiras. Além de conferencista do Fórum Internacional da Mobilidade por Bicicleta, Roelof Wittink também veio ao Rio para negociar com os governos municipal e estadual para que a Holanda se envolva nos programas de implantação da bicicleta como meio de locomoção. "Queremos assessorar o desenvolvimento das políticas para o ciclismo, disponibilizando especialistas e, principalmente ajudando a implantar um sistema de cálculo por nós desenvolvido que mostra a importância do uso da bicileta na melhoria do tráfego como um todo.
A maneira como a Holanda conduz sua política para a locomoção por bicicletas tornou o país um exemplo para o mundo todo. O país possui cerca de 18 milhões de bicicletas para 16,5 milhões de habitantes. São 17.701 ciclovias e 64.336 vias, totalizando 29.000 km à disposição dos ciclistas.
"No Rio, ainda falta um sistema coerente de facilidades para o uso da bicicleta. A prefeitura diz ter planos de executá-lo. Se realmente trabalharem com afinco, daqui uns 10 anos terão uma rede cicloviária contínua," prevê Wittink.






























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