Nascida em Curaçao, a escritora holandesa Aliefka Bijlsma sempre se sentiu atraída pelo ‘Novo Mundo’ e pelos rastros deixados nestas sociedades pela história de colonização e escravidão. Em seu primeiro livro a trama se passava em Curaçao. Para seu segundo romance, ‘Mede namens mijn vrouw’ (Também em nome de minha mulher), ela escolheu como cenário o Brasil.
O livro tem como personagens centrais o cônsul-geral da Holanda no Rio de Janeiro e sua mulher. Ele, um homem narcisista e orgulhoso, que dedicou sua vida à carreira, não teve filhos nem criou raízes, sempre morando no exterior. Ela, uma jovem fotógrafa que vai ao Brasil para uma reportagem fotográfica sobre a passagem de Maurício de Nassau por Recife, onde conhece o diplomata.
Às vésperas da aposentadoria e esperando uma promoção – talvez um cargo de embaixador – o cônsul, depois de um grave deslize, é surpreendido com uma demissão. Ao mesmo tempo sua esposa se vê diante de uma doença crônica que a leva a se envolver com religiões, videntes, médiuns e curandeiros – um mundo, para um holandês, quase surrealista.Aliefka Bijlsma procura através da trama tratar tanto de questões sociais como o conflito racial e de classes, como do drama pessoal de um homem que se confronta com a perda de status e com as consequências de suas escolhas de vida.
A história é contada em parte pela perspectiva da esposa, que apesar de viver quase isolada em sua cobertura na Lagoa – sua prisão e torre de marfim – também tem contato com o mundo das favelas através de seu trabalho e de sua busca por uma cura para sua doença - síndrome de fadiga crônica.“Ela vai a sessões de umbanda, kardecismo, tenta de tudo para ficar boa. Clip 3 E este é um outro lado do Rio, do Brasil, com o qual você nem sempre entra em contato, que traz uma esfera surrealista, estranha. É um outro mundo, com deuses e médiuns em transe. É o verdadeiro Brasil? Eu não sei, mas é um lado do Brasil, e acho que você pode até se perder nisso, se for muito para este lado místico, mas é só a minha opinião.”
Outros personagens importantes no romance são a assistente do cônsul, uma africana que deixou sua vida de lado para se dedicar inteiramente ao trabalho com o diplomata, e uma estagiária, que por sua juventude, assiste a todos os acontecimentos sem julgar ninguém.
Pesquisa
Para escrever o livro, Aliefka passou sete meses no Brasil em 2008, pesquisando e fazendo os primeiros esboços do romance. “Eu sempre faço as duas coisas ao mesmo tempo. Tenho necessidade de escrever enquanto faço minha pesquisa, para não perder a pureza da primeira impressão”, conta.
“Quando estive no Rio, fui a todos os lugares possíveis. Fui às favelas, fiquei até perdida uma vez numa favela; visitei todas as subculturas espirituais, acompanhei várias vezes um jornalista de O Globo em suas reportagens; também fui a galerias e tive contato com a elite da cidade. Acho que dá para escrever mais um livro sobre o Rio”, brinca a escritora, que também fala um pouquinho de português.
“Eu gosto muito do Brasil, acho que no Brasil tudo é novo, social, cultural e economicamente falando. E o Brasil tem um charme, uma energia excitante. Mas o Brasil também tem tristeza, miséria, muita pobreza, muita criminalidade... Eu desejo o melhor para o país. Sou apaixonada pelo Brasil.”
‘Mede namens mijn vrouw’ será lançado em Amsterdã no dia 3 de junho e o primeiro exemplar será entregue ao ministro Carlos Alberto Asfora, da Embaixada do Brasil em Haia. Aliefka também está em contato com uma editora no Brasil para uma possível tradução do romance para o português.
























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