Ao mesmo tempo que aumenta a violência na Síria, cada vez mais países retiram seus embaixadores de Damasco. Como avaliar essa decisão?
Por Marco Hochgemuth e Johan van der Tol
Há vários meses, o regime sírio reprime os rebeldes com violência. Um dos focos principais é a cidade de Homs, onde dezenas de cidadãos perderam a vida nos bombardeios lançados pelas tropas do presidente Assad.
Os Estados Unidos decidiram fechar sua embaixada na última segunda-feira por razões de segurança. O embaixador foi convocado para consultas por Washington. O exemplo foi seguido pela Grã Bretanha, França, Itália e Espanha, que retiraram seus enviados temporariamente. Seis Estados do Golfo fizeram o mesmo em protesto pelo “massacre de cidadãos sírios”.
No dia seguinte, a Holanda aderiu a ação diplomática, conforme o ministro holandês das relações exteriores, Uri Rosenthal: “Decidi chamar o nosso embaixador em Damasco para consultas. Também convoquei o embaixador da Síria na Holanda”.
Pressão
O ministro considera as medidas como um instrumento de pressão sobre o regime de Assad. A embaixada holandesa permanece aberta para manter contato com a oposição e prestar serviços aos holandeses que ainda se encontram na Síria.
Koos van Dam foi embaixador em diversos países, entre eles o Iraque, o Egito e a Indonésia. O diplomata também escreveu um livro sobre a Síria. “A medida é, em grande parte, um gesto político simbólico que não mudará muito a situação no país nem deve conduzir a uma melhora da situação. Retirar os embaixadores não significa o fim da violência, não faz com que aconteçam as reformas políticas ou a renúncia do governo. Além disso, você poderia dizer que um embaixador pode atuar como um canal de negociação com o governo. Portanto, caso queira apelar novamente a esse regime, me parece importante poder continuar se comunicando. No entanto, não é o que estamos fazendo”.
Diálogo
O ex-embaixador considera o diálogo como um recurso valioso, mas os países ocidentais desperdiçaram essa possibilidade, entre outras coisas, por se aproximarem da oposição síria. Van Dam centra sua esperança na tentativa da Rússia para influenciar o regime. Ontem, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergej Lavrov, manteve conversações com o líder sírio Bashar al-Assad.
“Pôr fim à violência é a última tábua de salvação para a paz. O problema, no entanto é que uma parte da oposição, ou seja, o Exército Livre Sírio não quer parar com a violência. Isso complica muito a situação e aumenta o risco de que o país caía em uma guerra civil que não beneficie a ninguém”, diz Van Dam.
Uma guerra poderia fazer com que grupos com os sunitas e alauitas se enfrentem. Segundo Van Dam, é importante convencer aos alauitas que ainda apóiam ao regime de Assad de que as reformas democráticas que possam ser introduzidas não formam uma ameaça para eles, ainda que, inevitavelmente, contribuirão para a partida do atual regime.




























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