Esta semana, acontece em Paris uma grande conferência internacional sobre uso sustentável de energia nuclear. Com alguns participantes de peso: a Comissão Europeia, a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD). Energia nuclear está de novo em pauta.
Há pouco tempo, o presidente norte-americano Barack Obama anunciou que colocaria 8,3 bilhões de dólares disponíveis para a construção de duas novas usinas nucleares. Dezenas de usinas assim estão sendo construídas em todo o mundo no momento, e muitas outras estão em estágio de planejamento.
Na Holanda, a construção de mais usinas nucleares também está na agenda. Atualmente, há uma usina nuclear em funcionamento na cidade de Borssele que, ao contrário de uma decisão anterior do governo, irá permanecer em produção até pelo menos 2033. E há o projeto de uma segunda usina em Borssele e duas outras, menores, em Delft, para pesquisas, e em Petten, para fins medicinais.
Escassez de energia
Curiosamente, a principal razão para o renovado interesse pela energia nuclear não é tanto a pequena quantidade de CO2 que ela produz, mas a escassez de energia que se prevê para os próximos anos, como explica Jan Leen Kloosterman, da Universidade Técnica de Delft:
“Acredito que isso esteja sendo discutido mais seriamente agora porque há um grande problema de energia. Há muitos reatores que em breve estarão fora de uso e têm que ser substituídos. Ao mesmo tempo, há um crescimento constante da demanda de energia em todo o mundo, e estima-se que irá triplicar em 50 anos.”
O combustível fóssil mais fácil de se obter, petróleo, inevitavelmente acabará. Soluções como capturar as emissões de CO2 e colocá-las em campos de gás vazios são controversas, e as possibilidades técnicas ainda não estão comprovadas. Desta forma, a energia nuclear, como energia de baixa emissão de CO2, voltou à cena.
A demanda
O presidente do Conselho Holandês de Energia, Peter Vogtländer, analisa desta forma: “No mix total de energia do futuro há uma ampla variedade de formas de energia: uma quantidade cada vez menor de petróleo, não muito carvão – espera-se -, e gás continuarão a ter um papel. As alternativas sustentáveis conhecidas serão cada vez mais populares: energia solar, eólica, das marés e biomassa. Mas para produzir a quantidade de energia necessária, não podemos ficar sem a energia nuclear.”
Volume
A suposta inevitabilidade da energia nuclear é uma pedra no sapato para o Greenpeace, já que ainda não há uma boa solução para o lixo atômico. Mesmo as técnicas mais avançadas de reciclagem do lixo atômico, com a queima repetida no reator, limitam o sistema a não mais que 100 anos. Defensores da energia nuclear dizem que isto é administrável, mas o Greenpeace não concorda.
Ao mesmo tempo, quer se queira ou não, o gênio saiu da garrafa. Jan Leen Kloosterman aponta para centenas de novas usinas em planejamento e cita uma impressionante lista de locais onde a construção já começou:
”O maior número está na China, que no momento trabalha na construção de 20 reatores. Outro jogador importante no setor é a Coreia do Sul, que tem cerca de seis reatores em construção. Índia, cinco reatores… Rússia, nove… o Canadá está construindo dois... França, Finlândia... Estes são alguns dos países onde eles já estão sendo construídos, e são 53 no total.”






























Submeter um novo comentário