Em nenhum outro lugar usa-se tanto a bicicleta como na Holanda. Quem assiste ao vídeo Bicycle Rush Hour Utrecht (abaixo) chega a ficar zonzo com o número de bicicletas que passa. Ainda assim, o governo holandês quer que as pessoas pedalem ainda mais. Principalmente em distâncias longas, em vias rápidas especiais para ciclistas – uma opção contra os congestionamentos diários nas estradas holandesas.
Ruud Maarschall é o trabalhador-ciclista do futuro. Ele já pedala há anos, quase diariamente, de sua casa em Petten até seu trabalho em Hoofdorp – uma distância de 68 quilômetros. Até quando chove, já que Maarschall tem uma bicicleta aerodinâmica coberta, na qual pedala deitado, também conhecida como ‘banana’ por causa da cor amarela e do formato.
Obstáculos
Quando consegue a maior velocidade, Maarschall faz a distância em uma hora e 45 minutos. Mas poderia ser mais rápido se não existissem pequenos e grandes obstáculos no caminho. “Sempre tenho que atravessar o canal do Mar do Norte com o ferry boat. Isso toma tempo. Os botões para abrir os sinaleiros também não são práticos. Alguns sinaleiros têm um sensor para isso, assim como para os carros. Mas às vezes tenho que apertar o botão, e aí tenho que abrir o capô e pôr o braço para fora para poder apertar.”
Maarschall também sofre com as pistas irregulares. Por isso ele defende a criação de uma rede de vias rápidas para bicicletas entre as cidades. A Fietsersbond (Liga dos Ciclistas), organização que luta pelos direitos dos ciclistas na Holanda, também pleiteia a criação de estradas para bicicletas. Mas ciclistas muito rápidos, como Maarschall, que pedalam dezenas de quilômetros sem problemas, não são o público no qual a liga está pensando. A via rápida, principalmente para quem mora em uma cidade e trabalha em outra, poderá estimular o uso de bicicletas elétricas, diz Wim Bot, da Fietsersbond.
Limite de 7,5 Km
“Vemos principalmente um papel para estas vias rápidas entre cidades que ficam a 15 ou 20 km uma da outra”, comenta Bot. “As distâncias a pedalar são um pouco longas para a maioria das pessoas. Elas acham que uma distância acima de 7,5 quilômetros é muito grande. Mas com uma bicicleta elétrica as distâncias um pouco maiores ficam mais fáceis. Também percebemos que o uso da bicicleta com motor de apoio elétrico já está aumentando no trajeto casa-trabalho.”
Uma via rápida para ciclistas, high-tech e ininterrupta, de algumas dezenas de quilômetros ainda não é realidade, como o túnel para ciclistas sob o canal do Mar do Norte, sonhado por Maarschall, também não. Os 21 milhões de euros que o governo holandês colocou à disposição para a construção de vias rápidas para bicicletas são muito pouco para isso. Mesmo assim, o especialista em transporte Richard ter Avest acredita que o investimento de vários milhões numa boa rede de vias rápidas para ciclistas, na qual se possa pedalar sem precisar parar, dentro e fora das cidades, pode ser rentável.
Menos custos
“Fizemos os cálculos e para cada 100 milhões de euros investidos numa estrada para ciclistas há um retorno de no mínimo 200 milhões. Isso porque as pessoas não precisarão perder tanto tempo em congestionamentos, o que custa dinheiro. E porque serão mais saudáveis, com o que o governo também erá menos gastos. Há ainda menos custos para o meio ambiente, portanto, do ponto de vista da sustentabilidade, é um bom investimento. Isso sem falar na abertura de novos empregos que a construção destas ciclovias trará”, argumenta Ter Avest.
Com estes investimentos se poderia criar uma rede nacional de estradas para ciclistas, como as que foram construídas para carros nos anos 60 e 70 do século passado. Com isso, distâncias acima de 20 quilômetros também se tornarão viáveis para o ciclista comum e veremos mais ‘bananas’, como a de Maarschall, passando em alta velocidade.
























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