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Joanesburgo, África do Sul
Joanesburgo, África do Sul

Quem lucra com a Copa, África do Sul ou Fifa?

Data de publicação : 27 Maio 2010 - 2:44pm | Por Elles van Gelder (Foto: EvG)
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Muitos sul-africanos esperam ganhar bem durante a Copa do Mundo de Futebol 2010. Mas a venda de ingressos está decepcionando e a Fifa é rígida: nada de quitutes sul-africanos feitos em casa, mas sim o Big Mac do patrocinador McDonalds.

“Ainda tenho que comprar lençóis novos para as camas”, diz Paula Majola, apontando para uma cama de casal. A sul-africana está em um dos quartos de seu Bed & Breakfast ‘eKhaya’ – palavra zulu para casa – no bairro de Soweto. Ela quer aprimorar seu B&B antes que a Copa comece, para receber mais estrelas e com isso poder cobrar mais dos torcedores que vierem se hospedar.

Grande expectativa

Majola é um dos muitos sul-africanos que espera lucrar com a Copa. A expectativa é grande. Na África do Sul, o número 2010 é quase mágico. Todos querem lucrar com a Copa. Mas a questão é se irão conseguir. Segundo o pesquisador sul-africano Udesh Pillay, que estuda o movimento econômico que será gerado pela Copa, as expectativas são exageradas.

“Realmente, acredito que a expectativa de benefícios para os pobres foi muito exagerada, e depois da Copa, quando fizermos um levantamento sobre o impacto do evento e como ele contribuiu para as condições de desenvolvimento, acho que algumas destas expectativas não terão sido realizadas.”

Comércio informal

Uma das maiores expectativas era, segundo Pillay, o número de empregos que a Copa geraria e as oportunidades que traria para comerciantes informais. Nas partidas de futebol locais, há vendedores de camisetas e bandeiras nas ruas que levam aos estádios. Além de churrasquinhos de frango e linguiça.

Mas a Fifa tem regras rígidas. Durante a Copa, a região ao redor dos estádios é uma zona onde apenas os patrocinadores do torneio podem ficar. Ao invés de comida típica e da cerveja local, o torcedor terá Big Mac e Budweiser. Os comerciantes sul-africanos saem perdendo.

Copyright
E também há regras rígidas sobre copyright. No mercado dominical do centro comercial Rosebank, em Joanesburgo, Didymus, de 26 anos, vende lembrancinhas feitas de miçangas coloridas. Sobre seu balcão há pulseirinhas com a bandeira da África do Sul e a cifra 2010. Mas o que ele está fazendo é ilegal. A cifra 2010 em combinação com a bandeira sul-africana é propriedade da Fifa. Assim como Copa 2010, Copa do Mundo, Copa da África do Sul e mais uma lista de variações. Sem licença, ninguém pode usar estas palavras em seus produtos.

Nove bilhões
Menos torcedores irão à África do Sul. As vendas de ingressos não estão como se esperava. A expectativa em relação ao número de turistas baixou de 480 mil para 373 mil.

Apesar disso, a multinacional Grant Thorton é menos pessimista e espera que os torcedores permaneçam por mais tempo e que gastem mais dinheiro: em média 18 dias e cerca de 3 mil euros por torcedor. Isto dá um total de 1,1 bilhão de euros. A Copa deveria render nove bilhões de euros ao produto interno bruto sul-africano, e grande parte disso foi gasto pelo governo na construção de infraestrutura. No final, a Copa significará um crescimento econômico de 0,5%. Mas muitos recursos poderão vir depois do evento.

O país espera que o lucro também seja sentido depois do campeonato, com novos investimentos e mais turistas. A África do Sul tem esperança de melhorar a sua imagem para o futuro. E a proprietária do B&B, Paula Majola, também almeja mais clientes depois da Copa. Ela diz que não espera ficar rica durante o torneio:

“Não estou querendo enriquecer, quero é ter exposição, para que pessoas de outros países saibam que se elas vierem à África do Sul há lugares em Soweto onde podem ficar bem hospedadas. Obviamente ninguém enriquece em um dia. O que nós almejamos é ter mais movimento depois do torneio.”

Oportunidade de ouro

O que cada indivíduo ganha vai depender de sua própria criatividade, acredita Paul Bannister, diretor do International Marketing Council, instituto ligado ao governo sul-africano. “Há maneiras suficientes para que o sul-africano comum ganhe dinheiro com a Copa sem usar as ‘palavras proibidas’ ou chegar perto dos estádios.” Bannister comenta sobre um grupo de senhoras que tricotam gorros e xales nas cores da bandeira sul-africana. Uma oportunidade de ouro, já que a Copa é no inverno.

O pesquisador Pillay vê vantagens na nova infraestrutura, como as novas vias. E também vê como a Copa une a África do Sul como nação. Todos os sul-africanos, brancos e negros, celebram juntos o futebol.

“Acho que os maiores benefícios não serão materiais, mas sim o que chamamos de benefícios intangíveis, o legado de nos reunirmos como nação, celebrando nossa diversidade. A Copa está trazendo uma coesão social num momento em que somos uma nação muito dividida. Hoje nós somos a nação mais desigual do planeta em termos de salários e distribuição de renda.”

Debate

Anonimo 18 Junho 2010 - 4:58pm / Brasil

A minha opinião é simples: A Fifa é que lucra e vai sempre lucrar com as Copas realizadas ao redor do mundo, enquanto os paises sedes não lucram muito ou quase nada dependendo do país sede da copa. E você, concorda com esta opnião???

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