A equipe ministerial de Mark Rutte é liderada por partidários antigos e fiéis, respaldados por um alguns jovens promissores. Apenas 4 dos 18 membros do gabinete são mulheres. Nunca a proporção feminina foi tão baixa desde o gabinete de Lubbers, de 1981. A idade média dos ministros do gabinete Rutte-Verhagen é de 54 anos.
Entenda o governo holandês
VVD
O nome oficial do partido, que foi formado em janeiro de 1948, é Partido Popular para a Liberdade e Democracia. Ainda que o liberalismo tenha uma longa tradição na política holandesa, o movimento sempre teve tendências à facções e se dividiu várias vezes até chegar a um novo VVD unido com a existência de alguns partidos. O VVD é liberal no sentido de favorecer o mercado livre, a desregulamentação do comércio e as liberdades individuais mas, de qualquer forma, é considerado de direita e conservador, embora hajam diversas opiniões no partido.
CDA
O Apelo Cristão-Democrata foi formado em outubro de 1980, com a união dos três maiores partidos cristãos, o Partido do Povo Católico (KVP)e os protestantes União Cristã Histórica (CHU) e o Partido Anti-Revolucionário (ARP). Estes partidos estiveram no poder quase sem interrupção desde 1918. Ameaçado pelo crescimento da secularização e a deserção de católicos e protestantes de esquerda no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, os três partidos formaram primeiro uma federação e depois se fundiram em um novo partido cristão-democrata de centro-direita.
A monarquia holandesa
- O rei ou a rainha é o chefe de Estado do governo.
- A Holanda é uma monarquia parlamentarista
Poderes
A monarquia aponta ministros e outros funcionários públicos, bem como assina os projetos de lei
A constituição de 1848 diz que “O rei não erra, os ministros são responsáveis”. O poder é dividido pelo rei, ministros e parlamento.
O chefe de Estado, atualmente a Rainha Beatrix, não tem poderes pessoais. O papel da monarca é limitado a apontar os governadores das províncias, aos prefeitos, juízes e outros profissionais de alto nível. As leis são aprovadas no parlamento, mas só podem ser aplicadas após a assinatura da rainha.
Após as eleições da Câmara Baixa, a chefe de Estado aponta os negociadores para as coalizões – inevitável em um sistema parlamentar multipartidário – e aponta o novo primeiro ministro.
Depois da posse, os novos ministros e a monarca se apresentam como novo governo, usualmente nos degraus do palácio real. Após estas cerimônias, a chefe de Estado deixa a arena política até as próximas eleições.
Outras tarefas da chefe de Estado são predominantemente diplomáticas.
A monarquia holandesa foi estabelecida em 1814 pelo tratado de Chaumont, assinado por uma série de potências europeias. Em 1815, Willem Frederik de Orange Nassau foi coroado como Rei Willem. Todos os reis e rainhas da Holanda descendem dele. O filho mais velho do monarca é o sucessor, seja ele homem ou mulher.
Este é o primeiro gabinete minoritário na história recente holandesa e o primeiro dirigido por um liberal em mais de 90 anos. Outra novidade: é a primeira vez que o governo holandês é conduzido por uma pessoa solteira.
Primeiro Ministro – Mark Rutte
Rutte (43) é um dos primeiros ministros mais jovens da Holanda. Tem a reputação de ser um 'bom rapaz' e por sua habilidade em resolver conflitos. Também como o primeiro homem solteiro que dirige o país e o primeiro liberal em quase um século. Saiba mais sobre Rutte.
Vice-primeiro ministro – Maxime Verhagen
Também Ministro da Economia, Agricultura e Inovação
Maxime Verhagen (54) chegou finalmente à cúpula do poder. Dedicou a maior parte da sua vida buscando a ascenção política. Verhagen era líder do partido Democrata Cristão durante os primeiros governos de Jan Peter Balkenende até assumir a pasta das Relações Exteriores, em 2007.
Uma disputa entre Verhagen e o líder do partido social-democrata PvdA, Wouter Bos, sobre a eventual prolongação da missão holandesa no Afeganistão foi o detonante que provocou a queda do último gabinete.
O atual gabinete existe graças à habilidade de Verhagen em convencer aos membros reticentes de seu partido a embarcar em um governo apoiado pelo populista Geert Wilders.
Verhagen é um dos três cristão-democratas do gabinete anterior que obtém um posto mais alto no novo governo.
É um fanático usuário de twitter, católico, casado e com três filhos.
Secretário de Estado – Henk Bleker
Henk Bleker (57) e Maxime Verhagen foram praticamente inseparáveis nos últimos meses e continuarão trabalhando juntos. Bleker estudou Ciências Políticas, trabalhou como pesquisador e consultor até 1999, quando passou a fazer parte do governo da província de Grongingen.
Em junho de 2010 foi designado como presidente provisional do partido Cristão Democrata (CDA) e apoiou Verhagen no processo de persuadir ao seu partido a aceitar fazer parte dessa coalizão.
Bleker é divorciado e tem 3 filhos. Sua paixão é a criação de pôneis Welsh (raça do País de Gales)
Ministro de Segurança e Justiça – Ivo Opstelten
Ivo Opstelten (66) foi o homem designado pela rainha para servir de mediador no processo de formação deste gabinete. Opstelten é um dos membros mais antigos do partido VVD, liberal, e o mentor de seu líder, Mark Rutte. De fato, a atuação de Rutte foi favorecida após Opstelten assumir a presidência do partido liberal, em 2008.
Foi prefeito de Roterdã entre 1999 e 2008 e preside o comitê que trabalha para designar a Holanda como sede dos Jogos Olímpicos de 2008.
Ivo Opstelten é casado e tem quatro filhas.
Secretário de Estado de Segurança e Justiça – Fred Teeven
Fred Teeven (52) se destacou como um fiscal de Estado de linha dura no combate à criminalidade. Teeven foi líder do partido político Leefbaar Nederland (LN) nas eleições parlamentares de 2002, substituindo Pim Fortuyn após o assassinato deste. Em janeiro de 2003 abandonou o LN e se uniu ao Partido Liberal VVD, para o qual atuou como parlamentar desde 2006.
Ministro de Assuntos Exteriores – Uri Rosenthal
Outra das figuras mais antigas do Partido Liberal, Uri Rosenthal (65) também foi designado pela rainha para conduzir as negociações para a formação do governo. Por duas vezes.
Foi senador desde 1999 e líder da bancada do partido na Câmara Alta durante o mesmo período. Conhecido como um intelectual, Rosenthal é doutor em Ciências Políticas e é professor desde 1980.
Além disso, é presidente do Instituto para a Segurança e gerenciamento de Crises do Governo (COT é a sigla em holandês).
Uri Rosenthal é de descendência judia, casado e tem dois filhos.
Secretário de Estado de Relações Exteriores – Ben Knapen
Ben Knapen (59) é jornalista e historiador. É um dos únicos dos membros deste novo gabinete que assume pela primeira vez um posto na política nacional. Foi membro do Conselho Científico para a Política Governamental (WRR é a sigla em holandês) desde 2001. Nos anos 1990 foi chefe de redação de um dos jornais nacionais holandeses (NRC Handelsblad), cargo que ocupou após seu trabalho como correspondente no exterior.
Em torno de sua figura surgiu uma controvérsia relacionada com o período em que integrou a junta diretiva da editora do jornal (PCM). Um órgão regulador denunciou má administração da empresa durante o tempo em que Knapen fazia parte da direção.
Ministro de Defesa – Hans Hillen
O terceiro dos homens mais velhos e experientes eleito por Rutte para formar parte desse gabinete, Hans Hillen é também um homem muito influente. Desde 2007 foi senador para o CDA e parlamentar durante 12 anos, além de ter sido porta-voz do Ministério das Finanças (1983-1989).
Trabalhou como jornalista durante 14 anos, seis dos quais como correspondente político. É conhecido como um estrategista político que não teme expressar suas opiniões.
Criticou ao seu próprio partido por sua debilidade na postura frente a Geert Wilders, mas também previu, há uns anos, que a carreira política de Wilders entraria em descenso. Agora, Hillem faz parte de um gabinete formado graças ao apoio do partido de Geert Wilders.
Hans Hillen é católico.
Ministro das Finanças – Jan Kees de Jager
Um dos jovens e promissores membros do gabinete Rutte-Verhagen, De Jager (41) vem do gabinete anterior no qual foi Ministro Interino das Finanças após a queda do governo, em fevereiro de 2010.
Reconhecido por sua postura séria e prudente, também é um bom comunicador. Antes de ingressar na vida política tinha sua própria empresa de internet. Em 2006, obteve o prêmio TI de Personalidade do Ano.
Secretário de Estado de Finanças – Frans Weekers
Frans Weekers (43) faz parte da fração liberal no parlamento desde 1998 e assume um cargo no Ministério das Finanças.
Ministro de Assuntos Sociais – Henk Kamp
Henk Kamp (58) volta para Haia depois de um período como Comissário das Antilhas Holandesas, onde contribuiu para a supervisão de uma reforma constitucional radical. Kamp foi ministro em duas ocasiões anteriores: da Defesa, entre 2003-2007 e da Moradia entre 2002-2003. Também ocupou uma cadeira no parlamento durante 10 anos.
Secretário de Estado de Assuntos Sociais – Paul de Krom
Membro da jovem guarda dos liberais no parlamento desde 2003, Paul de Krom (47) negociou os assuntos de integração nos últimos dois anos. Depois de um período como funcionário no Ministério da Defesa, no final dos anos 80, fez carreira na Shell, passando um tempo em Dubai e Londres.
Ministra da Saúde – Edith Schippers
Edith Schippers (46) foi o braço direito de Rutte no partido Liberal durante alguns anos. Ela o acompanhou durante os meses de negociações após as eleições de 9 de junho e é vista como um futuro talento no partido.
É casada e tem uma filha.
Secretária do Estado de Saúde – Marlies Veldhuijzen
Uma das poucas pessoas designadas por Rutte que não provém dos círculos políticos de Haia, Marlies Veldhuijzen (57) é geriatra.
Ministra da Educação, Cultura e Ciência – Marja van Bijsterveldt
Marja van Bijsterveld (49) também foi promovida neste gabinete em relação ao anterior, onde foi ministra interina no mesmo departamento que agora encabeça. Com formação em enfermaria, foi a prefeita mais jovem da Holanda em Shijpluiden, em 1994. em 2002 assumiu a presidência dos cristão-democratas da primeira vez que os membros do partido elegeram quem ocuparia o cargo.
É casada e tem dois filhos. Seu primo é senador peloPartido Socialista.
Secretário de Estado – Halbe Zijlstra
Halbe Zijlstra (41) começou sua carreira política no conselho municipal e entrou no parlamento em 2006. Ficou conhecido por impulsionar uma lei para combater a violência dos hooligans no futebol.
Ministra da Infraestrutura e Meio Ambiente – Melanie Schultz van Haegen
Melanie Shultz van Haegen (40) é a integrante mais jovem do gabinete Rutte-Verhagen. Ela volta à política após trabalhar alguns anos em uma companhia de seguros. Secretária dos transportes entre 2002 e 2006, deixou o cargo por estar estar envolvida em uma controvérsia sobre o aeroporto de Schiphol.
É casada e tem dois filhos.
Secretário de Estado – Joop Atsma
Joop Atsma (54) é conhecido por ser fanático por ciclismo. Foi presidente da União Real de Ciclistas Holandeses por 12 anos e, como parlamentar para os cristão-democratas desde 1998, dedicou-se à promoção do ciclismo.
Recentemente foi autor de uma nova política de governo referente a esse esporte.
Joop Atsma é casado.
Ministro de Imigração e Asilo – Gerd Leers
Gerd Leers (59) ganhou popularidade quando foi prefeito da cidade de Maastricht, no sul do país, cargo que ocupou entre 2002-2010.
Lamentavelmente, também é famoso por ter de renunciar após supostos conflitos de interesses com relação à sua casa de férias na Bulgária.
Tem reputação de ser firme e sensato. Advogou pela legalização da produção da maconha e também fez uma tentativa de mover os coffeshops (onde vendem a droga) para os arredores da cidade de Maastricht.
Foi parlamentar do partido cristão-democrata durante 12 anos.
É casado e tem 3 filhos.
Ministro de Assuntos do Interior e Relações Reais – Piet Hein Donner
Há anos que Piet Hein Donner (61) é uma figura que chama a atenção na política holandesa, também por sempre ir ao trabalho com sua bicicleta preta e por sempre vestir roupas escuras. É a terceira vez que o cristão-democrata é ministro desde 2002.
Começou sua carreira como jurista no Ministério de Assuntos Econômicos e em seguida no da Justiça, onde ganhou a imagem de político inteligente e retcto.
Em setembro de 2006, Donner renunciou como Ministro da Justiça após o incêndio fatal no complexo de detenção de requerentes de asilo no aeroporto de Schiphol. Cinco meses mais tarde voltou como Ministro de Assuntos Sociais em um novo gabinete.
Um dos objetivos em sua nova função como Ministro do Interior será a redução do número de funcionários públicos.
Doner é considerado como um fator experiente e estabilizador.





























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