Aumenta o uso na América Latina e Europa
O relatório da UNODC revela que o consumo de cocaína está crescendo em países em desenvolvimento. A América Latina é a parte do planeta com o maior crescimento no consumo de cocaína.
América do Sul, América Central e Caribe têm atualmente 2,7 milhões de consumidores, aos quais chegam 20% do entorpecente distribuídos no mundo, atrás dos Estados Unidos (41%) e da Europa (26%).
Há 20 anos 90% do consumo era dos Estados Unidos. Com a diminuição no consumo da cocaína nos EUA, o volume da coca processada reduziu em torno de 18%. Segundo o diretor da UNODC, Antonio Maria Costa, esta é uma das razões para as guerras entre narcotraficantes no México. "Os cartéis da droga estão brigando por um mercado minguante." De acordo com Costa, isto também teria levado à criação de novas rotas de tráfico dos países andinos para a Europa via África Ocidental.
Na América do Sul, regiões de mata virgem são cada vez mais utilizadas para o cultivo da coca. "Os consumidores de cocaína destróem as florestas nos países andinos e desestabilizam governos na África Ocidental", comenta Costa.
O relatório ainda cita que o número de consumidores de cocaína na Europa cresceu de 2 milhões a 4,1 milhões entre 1998 e 2008, ou seja, mais que duplicou em dez anos.
O Peru ultrapassa a Colômbia e torna-se o maior produtor mundial de folha de coca segundo um informe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Enquanto que o Peru produziu 119 mil toneladas métricas em 2009, a Colômbia, no mesmo período, teve uma produção menor, de 103 mil toneladas métricas.
Segundo Amira Armenta, do Instituto Transnacional holandês (TNI), o trabalho intenso de interdição que se realizou na Colômbia nos últimos anos é o motivo de o país perder o posto de primeiro lugar. “As políticas de erradicação manual e de fumigação aérea foram efetivas em muitas regiões”.
Êxito da Colômbia ou fracasso do Peru?
Amira Armenta destoa das opiniões triunfais e fatais surgidas tanto na Colômbia como no Peru ao se tomar conhecimento do informe. “Os êxitos são sempre relativos porque, em termos globais, o que não se produz na Colômbia se produz em outro país, neste caso, no Peru”.
De acordo com Amira Armenta, muitas das atividades do narcotráfico foram transferidas para o Peru e a outras regiões andinas. “É muito fácil concluir que algo assim deve estar acontecendo”, finaliza Armenta.
A produção total, se mantêm mais ou menos estável em comparação, por exemplo, com as cifras dos anos 90. Em termos absolutos, o êxito é muito questionável. “Claro que o governo colombiano atribui o êxito a si próprio, porque, em números, há uma redução, mas em termos do que isso significa para o narcotráfico, para o trânsito e o tráfico destas substâncias e para o consumo, isso é outra história”.
Continua, no entanto, o questionamento sobre a validade das políticas aplicadas, já que a diminuição em um país se traduz em um aumento em outro país. Armenta faz um pedido às autoridades para que enfrentem o fenômeno: “Quem está fazendo as políticas tem que ver que algo está acontecendo”.
Políticas de Washington e Europa não mudam
Antes de Barack Obama assumir a presidência dos Estados Unidos, as políticas anti-drogas para os países andinos estavam mudando. No caso da Colômbia houve uma enorme redução, por exemplo, no orçamento para programas de erradicação das plantações por via aérea, que antes eram financiados quase em sua totalidade com dinheiro estadunidense. Armenta não espera outras mudanças porque estas já estão acontecendo. “É uma política de Estado que, provavelmente, será mantida durante o resto do período Obama.”
O que mais preocupa os países europeus é a quantidade de cocaína que continua entrando no continente. A partir dos números e do último informe da organização para narcóticos na Europa, o Instituto Transnacional conclui que nada mudou, que “os canais de acesso e de entrada da cocaína a Europa continuam os mesmos.”























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