Todos estão apontando o dedo para Pequim. Como a China decidiu manter grande parte dos metais raros de seu solo para uso próprio, o resto do mundo tem que pagar mais por celulares, laptops e outros aparelhos eletrônicos onde estas substâncias são usadas. Mas metais raros também existem em outras regiões. Só que outros países não estão tão dispostos a escavar.
A briga sobre os metais raros surgiu depois que a China, há alguns anos, decidiu limitar as exportações. Isso levou a uma explosão nos preços. Alguns metais ficaram dez vezes mais caros. Estes metais, relativamente raros, são utilizados em todo tipo de aparelho eletrônico, mas também em turbinas eólicas e automóveis. No total, são 17 elementos (veja box).
O presidente norte-americano Barack Obama advertiu os chineses de que estão violando as regras do comércio. Junto com a União Europeia e o Japão, os Estados Unidos apresentaram uma queixa à Organização Mundial do Comércio.
Monopólio
Cerca de 95% da mineração de metais de terras raras acontece na China. O país prefere reservá-los para seu próprio uso, pois internamente a demanda cresceu enormemente nos últimos anos. Além disso, o governo chinês quer evitar que os estoques se esgotem rapidamente.
Metais raros em resumo
Na crosta terrestre existem 17 tipos de metais de terras raras. São 15 lantanídeos, mais escândio e ítrio. Eles têm muitas características em comum. Por exemplo, são resistentes ao calor e altamente magnéticos. Em parte graças ao uso de metais raros, aparelhos como telefones celulares podem ser cada vez mais compactos.
Estes metais com frequência aparecem juntos no minério e são difíceis de serem separados. Em algumas aplicações eles são permutáveis e o preço de mercado determina qual metal será utilizado.
O termo ‘metais de terras raras’ é enganoso. No início do século 19 estas substâncias pareciam realmente ser raras. Atualmente, sabe-se que nem tanto – principalmente se comparados aos metais preciosos -, embora com as limitações de exportação da China, eles realmente tenham se tornado mais raros no resto de mundo.
O mundo ocidental, principalmente, agora reclama a plenos pulmões. Mas se esquece que dois terços dos estoques mundiais de metais de terras raras estão fora dos solos chineses. Mas a China é no momento praticamente o único país que explora suas minas.
No início dos anos ’80 os Estados Unidos fecharam suas próprias minas por causa da poluição causada ao meio ambiente e dos baixos salários na China. A exploração de metais raros é um desastre para o meio ambiente. É preciso escavar muita terra e o processo de ‘purificação’ gasta muita energia.
Dependência
Se acordo com o especialista holandês Ton Bastein, que trabalha com o think tank de inovação TNO, as empresas ficaram muito dependentes de um único fornecedor e têm que buscar outros. Portanto, agora muitos pedem que antigas minas fora da China sejam reabertas.
Há minas utilizáveis na Califórnia (EUA), Canadá e Austrália, mas às vezes leva alguns anos até que possam entrar em funcionamento. Índia, Malásia e Brasil estão há tempos ativos com a mineração em pequena escala.
Turbinas
Há também uma busca por alternativas aos metais raros. Na Universidade de Leiden, na Holanda, por exemplo, estão tentando desenvolver um outro tipo de turbina eólica, equipamento que hoje muitas vezes utiliza centenas de quilos de metais raros. E na Universidade Técnica de Delft, Ton Bastein pesquisa o desenvolvimento de aço resistente ao calor sem a utilização de metais raros.
A reciclagem de metais raros não é uma opção. Fora as turbinas eólicas, na maioria das aplicações utiliza-se apenas alguns gramas destes metais, o que torna a reciclagem uma operação muito cara.
Duvidoso
O grande problema com os metais de terras raras, segundo Bastein, é que é um mercado bastante duvidoso. Isso, combinado com a posição de monopólio da China, faz com que os negócios com metais raros seja muito arriscado.
Apesar disso, Bastein espera que, com a abertura de outras minas, o mercado ocidental seja gradualmente abastecido com mais metais raros. Ele também acredita que a China não deixará o conflito ir longe demais e acabará cedendo.













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