Um dos maiores historiadores vivos do Brasil, Evaldo Cabral de Mello, com três livros publicados somente sobre a presença holandesa em nosso território até 1654, inicia a montagem do quebra-cabeça.
Vasculhando a poeira da história, Evaldo Cabral descobriu que nosso país se livrou dos holandeses somente quando os portugueses pagaram 63 toneladas de ouro pelo Nordeste, em 1669.
O pagamento dessa soma "altíssima para a época", conforme constatou o especialista, arrastou-se por quatro décadas, apesar de a Batalha dos Guararapes quase ter atrapalhado a primeira negociata que teve como moeda de troca o Brasil.
Os livros escolares nunca falam sobre este pagamento, apenas se dedicam ao episódio de Guararapes de acordo com uma visão militarista da história, mostrando os holandeses como perdedores e não como comerciantes astutos, que venderam de volta um pedaço do Brasil aos portugueses.
Arqueólogos da Universidade de Pernambuco e da Universidade de Amsterdã e historiadores dos dois países, autores de livros sobre o tema, que estão envolvidos em projetos em busca dos traços dessa presença intensa mas curta, contam a trajetória holandesa no país. Eles explicam o papel do príncipe iluminista Maurício de Nassau, em Recife, defensor da liberdade religiosa num tempo inquisidor.
A vinda de pintores, sanitaristas, construtores e botânicos, que registraram as primeiras imagens da colônia, desenvolveram uma arquitetura arrojada e colocaram o Brasil no mapa do mundo renascentista, são alguns dos legados do príncipe de Orange durante sua breve administração. Vindo a serviço da poderosa Companhia das Índias Ocidentais (WIC - West-Indische Compagnie), Nassau gastou por aqui mais dinheiro do que a primeira multinacional do planeta planejava, caindo em desgraça.
O músico Alceu Valença se une a teatrólogos, pintores e escultores para mostrar o que os moinhos da Holanda têm em comum com os coqueiros de Olinda. O compositor, com os pântanos batavos no fundo de sua poesia, diz que a Holanda se tornou "um mito no Brasil" porque Nassau "fez a diferença", não cumprindo à risca as regras da cartilha da multinacional que o contratou.














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