O prefeito de Porto Príncipe, Muscadin Jean-Yves Jason, questiona a notícia de que o número de mortos em consequência do terremoto no Haiti seja menos de 100 mil, como ficou aparente após uma pesquisa feita pelo correspondente da Radio Nederland no Haiti, Hans Jaap Melissen. Mas mesmo Jason apresenta números muito mais baixos do que as cifras oficiais e afirma que ninguém sabe precisamente quantas pessoas morreram.
"Nós, como município, enterramos 89 mil pessoas no maior cemitério de Porto Príncipe. Mas em outras localidades, principalmente no norte, também foram enterrados mortos de Porto Príncipe, em locais onde há mais espaço."
Covas comuns
Jason conversou com a Radio Nederland em Roterdã, onde participou de um congresso sobre controle de catástrofes.
O presidente René Préval divulgou na semana passada que o número de mortos passava de 200 mil e poderia chegar a 300 mil. Já o prefeito Jason estima o número de vítimas fatais entre 150 e 200 mil.
O repórter da Radio Nederland, Hans Jaap Melissen, informou do Haiti que as cifras do prefeito não conferem com as informações fornecidas pelo administrador do cemitério de Porto Príncipe, que registrou 18 mil corpos. Para o número citado pelo prefeito, seria necessária uma cova comum de proporções gigantescas.
"Além do mais, é muito improvável que um número tão grande de corpos tenha sido levado para o norte do país", diz Melissen. "Pouco tempo depois do terremoto ficou decidido que os corpos seriam enterrados em Titanyen, nos arredores de Porto Príncipe, para onde foram levados no máximo 20 mil corpos."
Doação holandesa
O prefeito Jason também não sabia que a população holandesa tinha levantado 100 milhões de euros para doar a seu país.
"Fiquei surpreso quando ouvi esta informação do prefeito Ahmed Aboutaleb, de Roterdã. Ele me contou que o dinheiro foi dado a uma organização de ajuda humanitária no Haiti. Ele prometeu me passar mais informações sobre esta fundação para que eu possa visitá-los quando retornar a Porto Príncipe. Quero saber exatamente o que eles fizeram até agora e depois informarei meu colega Aboutaleb a respeito."
O prefeito haitiano se preocupa com o destino dado ao dinheiro doado pela Holanda. "Trata-se de dinheiro público, então todos têm que saber como está sendo gasto."
Ajuda suficiente
No momento, o Haiti não tem mais necessidade de ajuda em dinheiro do exterior, diz Jason. "Estamos inventariando. Não podemos reconstruir tudo ao mesmo tempo, pois isso provocaria um caos. Temos que fazer um plano para o futuro, e isso leva tempo." Mas especialistas estrangeiros continuarão sendo importantes para a reconstrução de seu país, que ainda levará de 3 a 5 anos, acredita Jason.
Até agora, o governo tinha pouco controle sobre o trabalho de organizações humanitárias no Haiti, diz o prefeito, mas graças à criação de um novo órgão, o trabalho agora está sendo melhor coordenado.
Estação de chuvas
A principal necessidade dos haitianos é a construção de moradias semi-permanentes para os 300 mil desabrigados na capital, pois a estação de chuvas deve começar logo. Segundo Jason, também é preciso começar logo a reconstrução dos prédios públicos de Porto Príncipe. A prefeitura desabou e ele está trabalhando em uma tenda. Muitos de seus funcionários não sobreviveram à tragédia e com isso muito conhecimento se perdeu.
No final de sua conversa com a RNW o prefeito faz um pedido: "O Haiti está em crise. O país não precisa apenas de apoio financeiro, mas de apoio moral. Pensem em nós, falem de nós."
























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