O pano de fundo da polêmica sobre a presença de Cuba na próxima Cúpula das Américas teria mais a ver com a intenção de isolar os Estados Unidos da região do que com o retorno da ilha à Organização dos Estados Americanos, OEA.
Cada vez que se aproxima um encontro continental no qual participam os Estados Unidos, reaparece o fantasma de Cuba. Há poucos dias, as nações da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) mencionaram a possibilidade de não participar se o governo de Raúl Castro não for convidado à Cúpula das Américas, que acontecerá em Cartagena de Índias em abril.
De imediato, a diplomacia do país anfitrião, Colômbia, centrou todas as suas forças para evitar que esta ameaça se transforme em um boicote à Cúpula. A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, adiantou uma viagem que tinha planejado à Havana para conhecer de primeira mão o interesse de Cuba em participar na reunião de alto nível. Segundo a imprensa local, este seria o primeiro passo da estratégia colombiana para fazer com que a presença de Cuba seja consensual.
O problema é os Estados Unidos
A Cúpula das América é uma reunião de mandatários das nações que fazem parte da OEA. Em 1962, Cuba foi expulsa e só em 2009 pôs se um fim à suspensão que excluía a ilha do Sistema Interamericano.
A partir de então, Cuba deveria pedir oficialmente sua reintegração, o que não fez até o momento. No entanto, porque Havana estaria interessada em assistir a essa reunião continental?
Para o professor em Relações Internacionais da Universidade Complutense de Madri, José Antonio Sanahuja, “o que está em jogo não é o retorno de Cuba a este fórum do Sistema Interamericano, mas sim uma tentativa, por parte dos países da ALBA, de acabar com as Cúpulas das Américas e empurrar o continente rumo a um maior isolamento e autonomia frente à potencia do norte”.
Esta posição dos países da ALBA é vista como uma aposta arriscada, já que na região há nações de peso que não veem como incompatível uma relação cordial com os Estados Unidos, com a existência de fóruns regionais como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos ou a União de Nações Sul-Americanas.
A polêmica é especialmente incômoda para a Colômbia, que atua como anfitriã, e cujo presidente insistiu em dar à sua política exterior um claro caráter conciliador. Desde sua posse, Juan Manuel Santos buscou a aproximação com a América do Sul e o equilíbrio entre os Estados Unidos e as iniciativas regionais.
Os requisitos da participação
Diante do debate se Cuba deveria ou não assistir à Cúpula de Cartagena das Índias, os Estados Unidos foram cortantes: “Atualmente, Cuba não cumpre de maneira nenhuma com o umbral e os padrões de participação”, disse Wilian Ostick, porta-voz do Departamento de Estado para a América Latina.
Para o professor José Antônio Sanahuja, “estes padrões são imprecisos e, em todo o caso, se fixam unilateralmente”. Sanahuja acredita que trata-se de um pretexto e que ese tipo de afirmação tem a ver mais com uma situação interna pré-eleitoral.
O atual presidente estadunidense, Barack Obama, não pode arriscar os apoios na Flórida e outros Estados com forte presença da comunidade cubano-americana, que poderia ser decisiva em sua reeleição à presidência.
A Cúpula das Américas aconteceu a primeira vez em Miami, em 1994, e Cuba jamais foi convidada. Em Cartagena das Índias está prevista a participação do presidente dos Estados Unidos e da elite econômica continente.





























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