Objetivo 1: diminuir a miséria e a fome pela metade A capital da Romênia, Bucareste, não está entre as cidades mais pobres do mundo. No entanto, para um país que no início desse ano entrou no clube dos ricos - a União Européia , a pobreza é desproporcionalmente grande e visível, tal qual a riqueza.
Não sem orgulho, o gerente de vendas Mike Costache mostra um novo modelo de Maserati, a exclusiva marca italiana de automóveis. Apesar de custar 160 mil euros, montante inatingível para a maioria dos romenos, nesse ano, Costache já vendeu 15 exemplares dessa marca.
Com o sucesso nas vendas, Costache começa a pensar na possibilidade de abrir uma nova filial da loja na cidade de Kluj, ao norte do país. A pergunta é quem tem interesse nesse tipo de carro. "Em particular, homens de negócios", responde Costache.
Uma panorâmica na elegante rua Dorobanti, onde está a loja de venda de automóveis de Costache, mostra que outras marcas de automóveis também atraem o interesse do "segmento de luxo" dos romenos. Quem não prestar atenção no que ocorre nas ruas, pode crer que a Romênia caminha a passos largos na direção do bem-estar e do padrão de consumo dos países centrais da União Européia.
A pobreza
Após a queda do ditador Nicolai Ceausescu, em 1989, a Romênia vive um complexo período de transição, de uma economia estritamente planejada ao livre mercado. Com o regime comunista, desapareceu a segurança dos salários e houve o colapso do tradicional setor agrícola. Em conseqüência, uma grande maioria da população caiu ao nível da extrema pobreza.
Desde o ano 2000 o país vem registrando um crescimento econômico grande, com índices de 7,7% em 2006. No entanto, estatísticas do Banco Mundial indicam que 15% dos romenos vive abaixo da linha de pobreza.
"A transição econômica deixou muitos perdedores pelo caminho", alerta Mariana Stanciu, do Instituto Romeno de Pesquisa sobre Qualidade de Vida. A pobreza se tornou mais visível, as pessoas mendigam pelas ruas, até mesmo os aposentados, pois não ganham o suficiente para viver. Depois de 35 anos de trabalho, recebem 150 euros mensais.
Morar na rua
A Romênia não garante proteção social a seus habitantes. Isso foi o que descobriu Vasile Vasin, de 63 anos, que perdeu sua residência por causa de uma lei que garante direito de posse ao proprietário anterior ao período da guerra.
Sem compensação financeira alguma, Vasile agora é obrigado a procurar casa para alugar. Mas com uma aposentadoria por invalidez de cerca de 125 euros mensais isso é impossível, diz Vasile, que, durante toda a vida, trabalhou como operário em construção.
Com a esposa, Greta, e o cachorro, Vasile vive agora num velho carro estacionado em frente da casa onde moravam.
"Dá pra ver que não há luzes acesas e que seu dono sequer vive na casa". Onde poderíamos ir? Aqui pelo menos podemos receber nossas cartas.
O casal utiliza o toalete de um café da esquina e toma banho na casa de familiares, que não podem oferecer muito mais que isso.
Greta conta que tem quatro irmãos na cidade, mas cada um tem seus próprios problemas e não têm espaço para recebê-los. Diante do carro colocaram um cartaz falando da difícil situação que vivem. Não é um aviso pedindo esmola, mas apenas informando sobre as dificuldades que enfrentam.
Numa situação como essa, Mariana Stanciu diz que não seria inadequado abandonar a capital. As condições de vida em Bucareste são melhores que no campo, mas também podem ser muito duras. No campo, pelo menos seria possível cultivar uma horta e seguir em frente. A alternativa de aposentados migrarem para o campo já foi experimentada.
Greta e Vasile vivem no velho carro desde o Natal passado. Eles sempre viveram em Bucareste. Seria uma opção ir para o campo? Creta responde sem esperança: "Já estamos velhos e doentes, não nos resta muito tempo pela frente.
*Adaptação: Railda Herrero. Fotos: Thijs Papôt















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