Segundo o representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) na Bolívia, César Guedes, a planta de coca está sendo geneticamente modificada. Observações recentes levam à conclusão de que os arbustos atualmente produzem mais folhas, as plantas duram mais e os fertilizantes e nutrientes para as plantações de coca estão lhes dando maior rendimento e força.
Em resumo, a tecnologia contribui para que se maximize a produção de droga. Embora o fenômeno aconteça principalmente na Colômbia, não se descarta a possibilidade de que também já esteja presente na Bolívia e no Peru. De acordo com César Guedes, “sabe-se que quando há um avanço tecnológico deste nível em um dos três países produtores, logo passa aos outros. É como todo negócio.”
Rendimento duplicado
O arbusto de coca duplicou seu rendimento. Ou seja, atualmente, a mesma quantidade de coca pode ser produzida na metade da superfície cultivada. É o que se conclui de declarações e testemunhos de produtores da região da selva colombiana. “Falar de hectares de plantações de coca já corresponde ao passado”, diz Ricardo Vargas, pesquisador da organização Ação Andina, na Colômbia.
De fato, a pergunta que se deve fazer hoje é que tipo de transformações ocorreram em relação a variedades a planta. “Estas transformações fazem que a redução no número de hectares utilizados não repercuta sobre o potencial produtivo, que se mantém mais ou menos constante”, afirma Vargas.
Mas não se trata de experimentos caros realizados em laboratório por encomenda de narcotraficantes. Em seu afã de proteger sua fonte de renda, pequenos agricultores que produzem a folha de coca foram observando e paulatinamente encontraram a forma de fazer frente à política de erradicação aplicada por vários governos colombianos, baseada principalmente em fumigações aéreas das plantações de coca.
“Eles escolhem as plantas resistentes às fumigações e que não sofrem muito dano. Depois cruzam estas plantas com variedades com alto rendimento. Então produzem plantas híbridas resistentes às fumigações”, explica Ricardo Vargas. “Trata-se de um processo espontâneo e natural, baseado na experiência dos produtores, que se organizam para dar uma resposta às ações de erradicação forçosa.”





























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