O partido anti-islâmico, do político de extrema-direita Geert Wilders, ganhou muitos votos nas eleições municipais na Holanda. Seu partido, o da Liberdade (PVV), disputou em duas cidades: em Almere foi o mais votado e em Haia ficou em segundo.
Wilders estava visivelmente fortalecido por esse resultado, e se demonstrou combativo, dizendo que essa foi a primeira etapa na campanha para as próximas eleições parlamentares. “Este sucesso é o trampolim para nossa vitória em 9 de junho. Hoje Almere e Haia, amanhã a Holanda inteira”, afirma Wilders.
A queda do gabinete holandês e a campanha das eleições parlamentares, que está por vir, ofuscaram as eleições municipais. Os atuais resultados dos aproximadamente 400 municípios parecem não importar. Toda a atenção estava focada nas conseqüências para a eleição nacional.
O populista Geert Wilders e seu Partido da Liberdade foram os grandes vencedores, ainda que o partido tenha vencido em apenas duas cidades. O Partido da Liberdade é o partido que cresceu mais rápido na cidade de Almere, e o segundo maior partido na cidade sede do governo holandês, Haia.
De olho no prêmio
Geert Wilders se concentra nas eleições de 9 de junho. O Partido da Liberdade se aproveitou mais do que qualquer outro da queda do gabinete holandês, há dez dias. O partido tem atualmente 9 das 150 cadeiras do parlamento.
Se os eleitores tivessem votado para um novo parlamento nesta quarta-feira, o Partido da Liberdade teria conquistado entre 24 a 27 assentos. Segundo uma pesquisa, poderia ser o maior partido. Se seu partido se der bem em junho, Geert Wilders poderá ser o próximo primeiro-ministro da Holanda.
A pesquisa de opinião nacional também indicou que formar a nova coalizão governamental será mais difícil do que nunca. Normalmente forma-se uma aliança entre dois ou três partidos. Mas na próxima, serão necessários quatro partidos ou mais para se atingir a maioria no parlamento.
Chances são reais?
Resta perguntar se o partido de Geert Wilders pode ser parte de uma coalizão. Os partidos tradicionais não pensam em formar uma coalizão com um partido de posições tão extremas.
E ainda que Geert Wilders diga estar pronto para fazer os compromissos necessários para fazer parcerias com outros partidos, esta disposição ainda não foi vista na prática.
O que vai mudar? O Partido da Liberdade sentirá a pressão de governar. Alguns dias antes da votação, Wilders disse que banir o véu islâmico em lugares públicos seria um ponto inegociável. Nenhum outro partido aceita esse banimento.
De fato, tal posição provocou um protesto no dia das eleições. Em Almere e em Haia, dezenas de pessoas, homens e mulheres, islâmicos ou não, foram votar cobrindo a cabeça com o véu.
Outros partidos
Os dois maiores partidos da última coalizão governamental, o CDA e o PvdA, perderam cadeiras nas câmaras municipais. Eles pagaram o preço por três anos mal governados.
O primeiro-ministro demissionário, Jan Peter Balkenende, colocou a culpa na queda do gabinete. “Gostaria de ter visto um resultado melhor. E os candidatos locais também mereciam isso. Claro que tem a ver com o que aconteceu nas últimas semanas em Haia. Não podemos negar que isso tem um grande papel.”
O líder do partido social democrata PvdA, Wouter Bos, por sua vez, estava feliz pelo fracasso ter sido limitado: “Para todo mundo que ainda não sabia ou para aqueles que não queriam acreditar, o PvdA está de volta.”
O fracasso do PvdA foi menor do que poderia ser. O partido ganhou popularidade com a queda do governo. A surpresa se deve ao fato de que, nas entrelinhas da política holandesa, lê-se que normalmente o partido que causa a queda do gabinete perde votos.
Além do partido de Geert Wilders, os grandes vencedores nas eleições municipais foram a Esquerda Verde (Groen Links) e o democrata D66.
Frustração local
Os partidos que defendem os interesses locais se frustraram pela dominação da política nacional. Durante a campanha, alguns partidos usaram métodos não convencionais para atrair a atenção, mas não foram bem sucedidos.
As eleições municipais holandesas foram o começo de uma intensa campanha eleitoral que durará pelos próximos três meses.
























Submeter um novo comentário