O holandês Yvo de Boer, secretário executivo da Cúpula das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, deve ficar no cargo até o final de junho. De Boer vai entrar para a história como o homem que chorou em Bali. Mas também como um mestre de negociações que fez com que o debate climático avançasse.
A partida de De Boer foi anunciada dois meses depois do fracasso da Conferência da ONU sobre o Clima, na capital da Dinamarca, Copenhague. Naquela ocasião, os 193 países participantes não entraram em um acordo sobre a diminuição das emissões de CO2. Logo após essa conferência, De Boer disse, durante um debate, ter ficado deprimido.
Mas o fracasso da conferência não tem a ver com sua decisão de deixar o posto. O mandato oficial de De Boer termina em julho desse ano, embora esperava-se que o holandês ficasse no cargo até dezembro, quando acontece a próxima conferência climática, no México. “Antes mesmo de Copenhague eu já estava procurando outro trabalho”, afirmou De Boer em entrevista à AP. Em 1º de julho ele deve começar em seu novo emprego, como conselheiro climático e de sustentabilidade na KPMG, uma organização internacional de consultoria.
As lágrimas de Bali
Yvo de Boer ficou conhecido mundialmente como o homem que recolocou as mudanças climáticas em debate. “Não que o antecessor dele, o holandês Joke Waller-Hunter, não fosse bom, mas foi após a Conferência de Bali que o assunto se desenvolveu rapidamente", diz Madeleen Helmer, chefe do centro climático da Cruz Vermelha.
Foi acima de tudo em Bali que o secretário executivo mostrou seu lado mais humano. Depois de ter participado de diversas reuniões que adentraram pela madrugada, De Boer foi criticado por um membro da delegação chinesa. O ataque arrancou lágrimas do secretário. De frustração e cansaço. Todos os presentes na reunião o apoiaram e o aplaudiram de pé.
Fim de uma era
“Eu vejo a partida de Yvo de Boer como o fim de uma era”, diz Donald Pols, chefe climático da organização ambientalista WWF. “Ele representa um grupo de pessoas que sempre nada contra a corrente.”
De acordo com Pols, a força de De Boer estava no fato negociar até o limite, o que fez com que os líderes mundiais tivessem uma relação de amor e ódio com ele. “No final, os políticos acabavam dando um passo além do que eles realmente queriam, embora tivessem um grande respeito pela maneira com que De Boer o fazia,” afirma Pols.
Típico holandês
Segundo Madeleen Helmer, da Cruz Vermelha, De Boer liderou a Cúpula da ONU de uma maneira tipicamente holandesa, sempre procurando alianças e parcerias, de olho nos problemas e interesses dos países em desenvolvimento, e com um aguçado senso de humor - algumas vezes sarcástico.
Também é bastante conhecida uma entrevista que ele concedeu à revista de uma organização holandesa de defesa do meio ambiente, a Mileudefensie, na qual ele se perguntava o que os ativistas ambientais estavam fazendo engravatados nas salas de reunião. “Vocês precisam ir para as barricadas”, disse ele de maneira bem intencionada.
As Nações Unidas precisam encontrar um sucessor. De preferência antes da próxima Conferência Climática. Donald Pols, da WWF, espera um outro tipo de líder. Um gerente que converse em particular com cada país para colocá-los em ação e que convença a China e os Estados Unidos de que a política climática pode ser lucrativa. “A maneira como De Boer o fazia poderá causar muitas resistências”, conclui Pols.






























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