Oitavo programa da série 'Vozes das Mulheres do Brasil'.
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Railda Herrero e Mario de Freitas
Esse programa especial da série "Vozes das Mulheres do Brasil" retrata diferentes organizações feministas, em diversas regiões do país, que estão mudando a realidade de suas protagonistas.
Na periferia de Belém, em Bengui, nossa reportagem acompanhou o trabalho do Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB), uma instituição que tem projetos que fazem a diferença na vida de mulheres e jovens nesse bairro pobre da capital paraense.
Dona Domingas de Paula Martins Caldas, da coordenação do grupo, apresenta a história da organização nesse programa especial da Rádio Nederland. O cenário é uma reunião costumeira, com a chuva torrencial ao fundo e com as crianças acompanhando as mães que discutem sobre políticas públicas e mudanças necessárias no atendimento médico, na economia etc.
O GMB conta com o Grupo de Produção Amazônia (GPA), que assegura renda às mulheres participantes do projeto com a venda, ao comércio local e aos Estados Unidos, dos artesanatos com sementes regionais, ou de bolsas e outros produtos.
Plantas e extrativismo
Em Santarém, nossa reportagem conheceu outro projeto que está mudando a realidade de mulheres pobres da periferia dessa cidade do interior paraense. Maria Luciene Santos explica como é o trabalho organizativo em torno da produção de plantas medicinais e das tradicionais garrafadas. Um dos pilares desse projeto é a preservação da biodiversidade regional.
No Maranhão, as quebradeiras de coco não quebram apenas o babaçu. Com organização, quebraram cercas que as impediam de praticar o extrativismo como suas antepassadas sempre fizeram. Mas foram mais longe: além de "libertar" o babaçu, garantindo a coleta livre em lei, organizaram cooperativas e estão exportando o produto, que vai parar em lojas chiques de produtos de beleza na Europa.
Ivete Pereira Ramos Silva e Nazira Pereira da Silva dão detalhes sobre essa experiência que vem garantindo a inclusão econômica de centenas de mulheres. As entrevistadas são dirigentes da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema). Essa cooperativa do Médio rio Mearim, no meio norte do Brasil, é liderada por trabalhadores rurais e mulheres quebradeiras de coco babaçu, que promovem a produção familiar, utilizando e preservando os babaçuais.
Promotoras populares
Amélia Teles, uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, organização feminista com um fecundo trabalho para garantir o direito das mulheres há mais de duas décadas, deu detalhes sobre o processo de formação e a importância de um projeto que já formou mais de quatro mil promotoras legais populares.
Centenas de organizações espalhadas pelo Brasil conjugam a defesa dos direitos da mulher com projetos econômicos que garantem a inclusão e a mudança da qualidade de vida. A Casa de Passagem, no Recife, é uma dessas instituições, que abre perspectiva para jovens meninas em situação de marginalidade. Na capital pernambucana, dezenas de instituições como essa desenvolvem projetos que ajudam a mudar o histórico quadro de exclusão social. Em Olinda, o Coletivo Mulher Vida desenvolve programas exemplares nesse sentido. O SOS Corpo, ligado ao Instituto para a Democracia, do Recife, há três décadas desenvolve pesquisas e projetos que mostram os rumos das mudanças necessárias.
Botânica apaixonada
Em São Luís do Maranhão a professora e doutora Terezinha Almeida Rego, de 76 anos é um exemplo da garra das mulheres nos mais diversos setores. Essa botânica começa a trabalhar às 7 da manha e abandona o campus da Universidade Federal "quando dá", conforme diz. O herbário que cuida com tanto carinho foi montado em 1984 e conta com mais de dez mil espécies.
Terezinha Rego ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais, incluindo um na China, por causa de sua pesquisa com a cabacinha para combater a renite alérgica, que dobrou uma gripe asiática. Dentre as muitas atividades, ela organiza cursos de ervas para a terceira idade, mostrando a importância e a forma de extrair, entre outros, o extrato de sucupira, para aliviar a dor da artrose. Coordena ainda uma pesquisa sobre a xanana, uma planta que vem garantindo a melhoria da qualidade de vida dos portadores do vírus do HIV.























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