A Copa do Mundo traria progresso econômico e social à África do Sul. Seis meses após o mundial de futebol qual foi o legado de quatro semanas de furor?
“Esperávamos mais turistas, mais emprego e um futuro brilhante. Mas acabamos com bonitos estádios, melhorias na infra-estrutura, certo senso de unidade e, em alguns casos, novos amigos do mundo todo”, resume Giosiame Masiki, que é assistente social e vive em Soweto.
A imagem da cidade de Soweto mudou por causa da Copa do Mundo na opinião de Lebo Malepa. Malepa é proprietário do único albergue para mochileiros em Soweto. “Há pouco tempo, guias e revistas de viagens desencorajavam as pessoas a visitar Soweto, deixa estar passar uma noite na cidade. Desde a Copa do Mundo, estamos vendo reportagens entusiasmadas e o turismo está crescendo por aqui”.
Endividados
Muitos empreendedores sul-africanos transformaram suas casas em hospedarias, antecipando o esperado fluxo de turistas. Grace Pilane, da cidade de Alexandra (próximo à Johanesburgo), continua orgulhosa e vestindo a camiseta de futebol do Bafana Bafana em diversas ocasiões: “Muitos dos meus amigos fizeram empréstimos para construir um novo quarto em suas casas. Nós ainda estamos esperando que os turistas venham como todo mundo havia dito pra gente".
Próxima à luxuosa Santon, distando 15 minutos do Fifa Fan Park e estando na vizinhança do Ellis Park Stadium, as pessoas que moram em Alexandra tinham grandes expectativas de que a Copa do Mundo lhes traria alguns negócios rendáveis. Mas como a partida final se aproximava e a maioria das camas extras continuava sem hóspedes, eles compreenderam que a Copa do Mundo não iria mudar drasticamente suas vidas.
“Claro que os estádios de futebol são bonitos”, admite Pilane. “Mas eu não posso comê-los. Três dos meus quatro filhos estão desempregados. Minha aposentadoria paga a alimentação deles e o convênio médico. Se eu penso nos 440 milhões de dólares que foram gastos naquele estádio, eu poderia vir com uma lista de coisas que poderiam realmente ter mudado nossas vidas. Até mesmo as pessoas de Alexandra, que trabalharam como voluntários nos estádios durante a Copa do Mundo, agora voltam aos seus empregos em tempo parcial no supermercado. Como é possível manter uma família com isso?”.
Joseph Rambau, que patrulha a estação Gautrain, é menos pessimista. Alguns meses antes da Copa do Mundo começar, ele conseguiu o emprego de gerente de segurança nesse importante projeto de infra-estrutura. “Se não fosse a Copa do Mundo, Gautrain ainda estaria sendo construído. “Nós cuidamos para que milhares de pessoas sejam transportadas com rapidez, segurança e honestidade. Durante a copa eu conheci pessoas de todo o mundo que queriam saber um pouco mais sobre a África do Sul. É um trabalho gratificante”.
Purshoth Chetty, que foi diretor geral do Cape Town Stadium durante a Copa do Mundo, aplaude o impulso que o torneio deu ao desenvolvimento urbano e social. Ele não acredita que um estádio que custou 600 milhões de dólares está predestinado a se tornar um elefante branco, embora tenha sediado pouco menos de uma dezena de eventos desde a Copa do Mundo.
“O Cape Town Stadium e os parques na redondeza e os campos de jogos são acessíveis para todos. O cenário entre a Montanha da Mesa e a Ilha de Robben é espetacular. Mas o que é mais importante: A Copa do Mundo criou novas expectativas entre os milhões de sul-africanos. Nós deveríamos tratar com carinho e passar esperança para frente, para que nossas crianças tenham um futuro melhor”, diz Chetty.
Bola 'segura'
Mas em Crossroads, uma cidade que fica do outro lado da Montanha da Mesa, Sinoxolo Petele, de 13 anos, pensou por muito tempo se a Copa do Mundo teria mudado sua vida. Sim, ele torceu por Bafana Bafana. Depois ele torceu pela Holanda e visitou o Cape Town Stadium em uma excursão escolar. Mas, “além disso, não há muito”.
Petele disse que vai parar de jogar futebol no campinho da Fundação Johan Cruyff. “Hoje eu posso jogar bem, porque alguém nos trouxe uma bola de futebol de verdade. Mas alguns dias nós não temos bolas para jogar. Ainda bem que a loja perto da esquina vende camisinhas. Algumas vezes eles nos dão algumas e então quando a gente as assopra a gente pode jogar por um tempo. Mas você não pode chutar muito forte porque senão elas explodem”.



























Submeter um novo comentário