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O mundo dos imigrantes brasileiros
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O mundo dos imigrantes brasileiros

Data de publicação : 4 Junho 2009 - 1:00am | Por RNW Radio Netherlands Worldwide
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Décimo terceiro programa da série "Vozes das Mulheres do Brasil".

Para baixar este programa, clique aqui com o botão direito do mouse e escolha a opção 'salvar'.

Esse programa entra no mundo de diferentes emigrantes que escolheram algum aeroporto internacional do país para buscar alternativa econômica ou mudança de vida. Dedica-se especialmente a mostrar o lado feminino da imigração.

Railda Herrero e Mario de Freitas

Estima-se entre dois a quatro milhões a população emigrante brasileira dispersa em dezenas de países. Somente na Europa, calcula-se que vivam de 500 mil a um milhão de brasileiros. A cada ano, os brasileiros que vivem no exterior enviam à terra natal entre cinco a sete bilhões de dólares. Esses recursos, na maioria das vezes, são destinados à construção de casa própria, à poupança ou manutenção ou pagamento de estudos de familiares.

A grande movimentação de brasileiros para fora do país começou nos anos 80 e se intensificou ainda mais nos anos 90. Com a crise financeira mundial, essa tendência está em queda, principalmente nos Estados Unidos, onde os empregos escassearam e já não compensam mais as habituais privações desses imigrantes para garantir um futuro melhor no país de origem.

Rosto feminino
Em muitos países a migração tem o rosto feminino. O fato de ser mulher é, muitas vezes, garantia de encontrar mais rapidamente trabalho na faxina ou no cuidado de crianças ou de idosos. Outras mulheres saem do Brasil atraídas por falsas promessas de casamento ou de trabalho milionário, indo parar no mundo da prostituição. São vítimas do tráfico de seres humanos ou que, por escolha, arriscam uma alternativa mais rápida para fazer dinheiro.

Em geral, as mulheres imigrantes, que trabalham em diferentes setores, têm muito em comum. Quase sempre mantêm filhos que ficaram no Brasil e, em geral, não vivem oficialmente no país onde trabalham.

Crise e retorno
Com a crise econômica, muitos imigrantes estão enfrentando o aumento da discriminação, pois se tornam bodes expiatórios diante da falta de emprego aos moradores locais. Em Portugal, as queixas de brasileiros imigrantes sobre isso são grandes.

Nesse programa especial, imigrantes brasileiros fugitivos do Plano Cruzado e que se estabeleceram há quase vinte anos no sul de Portugal, falam sobre as dificuldades que a crise financeira mundial está causando em suas vidas, apressando o sonho da volta ao Brasil. A dentista Cláudia Maria de Carvalho Barbosa, há 18 anos em Portugal, avalia que "a intolerância está crescendo no país, com a crise, principalmente porque está se fortalecendo o setor que defende as tradições". Diferentes profissionais radicados em Portugal, incluindo a psicóloga Sandra Santim, ou especialistas locais, ajudam a traçar o perfil do imigrante brasileiro no país.

Nos pântanos
Imigrantes brasileiros que lutam para se adaptar nos pântanos falam sobre as estratégias e dificuldades para sobreviver, arrumar trabalho, quase sempre sem falar a língua local. Este programa retrata a realidade de trabalhadores sem papéis oficiais, que trabalham na faxina ou cuidando de idosos ou crianças. Dá a palavra também a jovens que trabalham na construção ou em reformas, e falam sobre as dificuldades, os sucessos, a sorte e o sonho da volta.

A mineira Ivonete dos Santos, há 13 anos na Holanda, com intervalos de um ano na Itália e alguns meses na Inglaterra, é uma das personagens desse programa, que falam da labuta diária que não deixa ver o tempo passar. Ela fala ainda dos sonhos e da experiência acumulada nos Países Baixos, “o grande ouro que vou levar de volta e espero que seja reconhecido”.

Sem perder o humor, Ivonete conta sua experiência de imigrante, fazendo piada de todas as trapalhadas em que entrou, incluindo a prisão pela polícia de estrangeiros e a dedo-duro que dizia que "Deus era brasileiro” e ia ajudar a todos a sair da enrascada. Rápida, Ivonete argumentou: “Se ele é brasileiro e não tiver passaporte holandês, vai ser deportado com a gente”.

A Radio Nederland, com o apoio da agência holandesa de cooperação para o desenvolvimento Cordaid, apresenta a série de programas especiais Vozes das Mulheres do Brasil.

Com quase trinta minutos cada, esta nova série de programas visa aprofundar temas como a desigualdade, o tráfico de seres humanos, a violência doméstica e o abuso de meninas. Mostra um perfil das mulheres brasileiras levadas à prostituição e sua organização para garantir a cidadania e o controle da Aids.

As rotas e as formas de aliciamento do tráfico de mulheres também são temas desta série de programas. Alternativas e projetos para superação da miséria em diferentes regiões do país são apresentados como modelos de inserção social que fazem a diferença, principalmente onde não há emprego formal.

As séries produzidas anteriormente pelos repórteres Railda Herrero e Mario de Freitas conquistaram dois prêmios Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos e dois prêmios no Festival Internacional de Nova York.

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