Ainda é possível manter o euro agora que até alguns políticos alemães e o primeiro-ministro holandês Mark Rutte expressam suas dúvidas? Fervorosos opositores do euro como o líder do PVV Geert Wilders estão querendo saber. Mas de acordo com muitos economistas, eliminar a moeda sairia mais caro do que mantê-la. A pesquisa sobre os custos já foi feita. Segundo eles, não é possível voltar atrás.
Esta semana, o Gabinete Central de Planejamento da Holanda (CPB) jogou óleo na fogueira dos céticos do euro. O holandês tem cerca de 500 euros por ano a mais desde a introdução do euro. E o mercado comum europeu ainda fornece quatro vezes mais que isso ao cidadão holandês.
“Um mercado único é muito importante para a Europa, e especialmente para a Holanda, e traz grandes vantagens, mas o euro em si não contribui muito com isso. A introdução do euro talvez não tenha acrescentado tanto, mas sua eliminação viria com grandes custos”, explicou o diretor do CPB, Coen Teulings, no programa de TV Nieuwsuur.
Anos de discussão
Só a questão sobre qual moeda utilizar para a compra de mercadorias e investimentos custaria anos de discussões entre parceiros comerciais. Com certeza para a Holanda, que exporta 72% de sua produção para países da comunidade europeia e apenas 1% para a China, os danos podem ser significativos. Mas Teulings não ousa fazer uma estimativa dos custos totais de uma possível eliminação do euro.
Já seu colega, o economista Jaap Koelewijn, da Universidade Nyenrode, se aventura por este caminho escorregadio. “Se fizermos um referendo sobre o euro na Holanda, precisaremos fazer a pergunta certa. Expulsamos os gregos e entregamos 15% da nossa renda, ou mantemos os gregos e isso nos custará 5% da nossa renda.”
Ovos mexidos
Koelewijn também não contesta que todas as estimativas são relativas, pois tudo depende muito do cenário de catástrofe que se imagine. Mas segundo ele, a resposta é muito mais simples, pois eliminar o euro não é mais possível.
“Com a adoção de uma moeda única, nós nos entrelaçamos profundamente como países europeus. É assim como fritar ovos. Assim que você os põe na panela e mexe, não dá mais para separar. Não há caminho de volta e os mercados não querem aceitar esta mensagem difícil. É uma armadilha que armamos para nós mesmos, e sabíamos que havia falhas. Mas as falhas não fazem com que possamos sair dessa, elas justamente nos prendem à armadilha.”
Caos
Mark Cliffe, economista chefe do banco ING, pesquisou os riscos e custos no ano passado. Um dos grandes perigos é que o colapso da zona do euro não atinja apenas a moeda em si, mas também o mercado interno onde todas as barreiras foram eliminadas. Países que deixem a zona do euro se tornarão um caos. Terão, sem dúvida, que desvalorizar sua moeda para que suas exportações fiquem mais baratas. Mas com isso a competitividade do país não melhorará significativamente.
Não se evita, portanto, que particulares, investidores e empresas, retirem seu capital e investimentos do país. E assim o país vai querer impor todo tipo de barreiras e então há uma chance real de que também o mercado livre interno seja prejudicado.
Holanda extremamente vulnerável
Mark Cliffe diz que a Holanda seria extremamente vulnerável neste tipo de cenário.
“A Holanda é preeminentemente vulnerável porque será vítima de seu próprio sucesso. Nos últimos dez anos, a Holanda exportou muito mais do que importou. Mas, naturalmente, este superávit commercial tem que ser investido em algum lugar. Portanto bancos, fundos de pensão e companhias de seguros fizeram, ao longo dos anos, uma montanha de empréstimos para o exterior, e os credores holandeses logo terão problemas se os países começarem a sair da zona do euro.”
No caso de uma desintegração completa da zona do euro a produção na Europa cairia cerca de 10%, segundo uma pesquisa feita por Cliffe no início deste ano – muito mais que o encolhimento causado pela crise dos bancos em 2008. Se apenas a Grécia sair, as consequências econômicas para aquele país serão desastrosas.
Sem sentido
Mas para o resto da Europa as consequências negativas diretas permanecem em alguns poucos pontos percentuais. Uma saída controlada da Grécia da zona do euro, sem que os mercados entrem em pânico e a faísca atinja outros países europeus mais fracos, é uma ilusão neste momento. E isso torna as estimativas de custo sobre as variações no euro que circulam agora praticamente impossíveis e relativamente sem sentido.















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