Os países latino-americanos não estão preparados para o aumento no consumo das drogas sintéticas como o XTC. Enquanto a batalha contra as drogas tradicionais, como a cocaína e a maconha, tem conhecido relativas vitórias, faltam mais conhecimentos sobre o desenvolvimento da nova geração de drogas. É o que afirma Carlos Araneda Ferrer, coordenador de projetos para a América Latina e a zona do Caribe do Programa das Nações Unidas para Drogas Sintéticas (SMART).
Chileno radicado em Washington, Ferrer esteve presente em maio, na qualidade de perito, na 49ª Conferência da CICAD, a comissão interamericana de combate à droga da OEA, realizada na capital do Suriname, Paramaribo.
Especificamente o XTC começou a fazer sua entrada na América Latina. "A exemplo do que acontece na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, trata-se de uma droga de festa, geralmente consumida em combinação com o álcool." A droga na América Latina é de quatro a cinco vezes mais cara que, por exemplo, a cocaína.
"Mas as economias emergentes, como o Brasil, a Argentina, o Peru e o Chile, possibilitaram a grandes grupos de pessoas estar em condições de gastar dinheiro em algo novo. É fato notório que os consumidores estão sempre interessados em experimentar novas drogas. O jovem ouve falar do uso destas drogas nos Estados Unidos e na Europa e logo também quer experimentá-las ", afirma Araneda.
Combate às ‘drogas de festa’
Durante a conferência da CICAD, realizada entre os dias 4 e 6 de maio em Paramaribo, ficou claro que os países latino-americanos não estão totalmente cientes do problema. No entanto, de acordo com Araneda, as autoridades judiciais têm poucas possibilidades de intervir. "A luta contra as drogas sintéticas está em terceiro ou quarto lugar após a guerra contra as drogas tradicionais. Isso ocorre porque as autoridades não sabem muito bem como agir."
A maneira de combater a fabricação, o transporte, o comércio e o uso é muito diferente da do controle de drogas tradicionais na América Latina, como a maconha e a cocaína. Destas últimas são conhecidas as áreas de produção e consumo. Mas o confisco de drogas sintéticas é muito mais complicado. O produto tem um aspecto totalmente diferente. Os comprimidos são muito semelhantes aos medicamentos tradicionais e legais. Para determinar se se trata de droga deve ser analisada a sua composição química, o que a polícia muitas vezes não pode fazer, por falta de conhecimento e experiência", diz o perito em drogas da ONU.
Laboratório
Segundo Araneda, uma nova geração de drogas está sendo fabricada em diferentes países da América Latina. A Justiça e a polícia do Brasil e da Argentina já desmantelaram diversos laboratórios. No México, atualmente se produz em grande escala para atender à demanda dos EUA, pelo fato de as ações legais contra a produção não serem ali tão severas e eficazes. "Mas a luta é difícil para os serviços de investigação não especializados, já que não têm maneira de julgar se se encontram ou não num laboratório de drogas ilegais."
Colaboração
Araneda apela para uma cooperação intensa entre os países da OEA recentemente confrontados com o problema e os países que têm mais experiência no campo. O Canadá e os EUA têm a triste fama de serem os mais avançados no continente americano em matéria de drogas químicas. Mas isso lhes rendeu também mais experiência. Estes conhecimentos poderão ser aproveitados nas novas políticas dos países sul-americanos.
"Mais dinheiro deve ser investido no desenvolvimento do conhecimento," afirma Araneda. "Fundamental para evitar uma epidemia de drogas, como tem ocorrido nos países ricos. No momento, controla-se nos aeroportos a posse de maconha ou cocaína, no entanto pode-se levar comprimidos de XTC na mala com a maior tranquilidade. Isso precisa mudar rapidamente."





























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