Dinamarca. Terra de Hamlet, da cerveja Carlsberg e de pessoas de beleza incomum. E a partir de hoje, pelos próximos dez dias, sede da muito antecipada conferência da ONU sobre o clima. E sendo uma conferência sobre como a atividade humana está causando o aquecimento do planeta, houve uma relutância geral dos participantes em voar. Ou melhor, de serem pegos voando. Para celebridades e políticos é uma mancha no currículo, mas para ativistas europeus, simplesmente não era uma opção.
Trens, ônibus e bicicletas ainda estão a caminho da capital dinamarquesa. Às 9 horas da manhã do último sábado, o ‘Climate Express’ saiu da estação central de Bruxelas levando políticos, cientistas, ativistas e jornalistas para treze horas de viagem carbono-neutra. Treze horas a partir da Bélgica, mas alguns já estavam viajando há muito mais tempo.
“Acabo de chegar de Kyoto para pegar o Climate Express, que é a última etapa de uma jornada simbólica entre Kyoto e Copenhague. Estou indo de um trem para outro, mais ou menos desde 21 de novembro, quando entrei na ferrovia trans-siberiana. Eu amo trens, e sabe por quê? Não é só pelos próprios trens, mas por causa das pessoas que encontro quando viajo de trem. Tem sido uma experiência fantástica. Ferrovias estão aproximando as pessoas. Veja quantas pessoas estão aqui agora, neste trem. E estamos todos conversando, há um diálogo, há cooperação e eu acho que esta é a maneira de resolver o problema da mudança climática”, conta um dos passageiros.
Reciclado
Um tsunami de informações relacionadas ao meio ambiente deu as boas vindas aos eco-passageiros. Panfletos (de papel reciclado, naturalmente) avisando a todos que a comida a bordo é orgânica e de produção local. Outros explicando como fazer valer a mensagem sobre o clima. Até travesseiros customizados com a mensagem: “Copenhague deve oferecer um objetivo climático justo, ambicioso e comprometido.”
A bordo, o espírito é de viagem escolar. Em um vagão, ativistas fazem pôsteres coloridos que pedem um fim para as emissões de carbono. Eles são depois pregados nas janelas deixando o vagão com jeito de jardim de infância. Há até um mágico a bordo, embora não esteja claro qual o seu papel na mensagem contra o aquecimento global.
Expectativas
Mas não é brincadeira de criança. Há ativistas de peso no trem. Como Jean Pascale van Ypersele, do IPCC. Sua organização avalia a pesquisa científica que forma a base para todas as negociações na conferência. E ele é claro sobre o que espera ver nos próximos dias.
"Acho que Copenhague irá nos trazer um acordo muito importante, um passo muito importante – muito mais do que Kyoto. Estou muito otimista de que chegaremos a um acordo. Mas, ao mesmo tempo, assim que terminar podemos começar a pensar nos preparativos para as próximas negociações, porque não será suficiente. Teremos que continuar as negociações sobre o clima para chegar a maiores reduções de emissão. Precisamos chegar, antes do final deste século, a emissões globais negativas”, ressalta Ypersele.
Números
No centro de conferência, alguns quilômetros fora do centro da cidade, mais de 100 líderes de governo e 20 mil delegados irão se encontrar para negociar números astronômicos. Bilhões de toneladas de carbono e bilhões de dólares – custo potencial das medidas.
Fora do centro de conferência e por toda a capital dinamarquesa, os que estão comprometidos com a causa convergem para pregar sua mensagem aos locais e ao resto do mundo através da massiva cobertura da mídia.
Depois de meses de expectativa, a conferência finalmente começa. Será que o Natal vai chegar mais cedo para aqueles que depositaram suas esperanças em um acordo significativo? Ou terminará sendo só embrulho, sem nenhum presente?





























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