A atriz Natalie Portman é bastante conhecida por seu comprometimento com causas sociais. Ela também é uma firme defensora do microcrédito. Nesta entrevista, ela conta à Radio Nederland como se inspira em histórias de sucesso relacionadas ao microcrédito. Segundo a atriz, foi a rainha Rânia, da Jordânia, a primeira a despertar seu interesse em tais projetos.
Natalie Portman acredita piamente que os empréstimos dados às pequenas empresas geridas por pessoas que nunca poderiam obter crédito de outra forma são uma solução para a pobreza. "Ele permite que os cidadãos mais pobres do mundo, e especialmente as mulheres, assumam o controle de suas vidas."
A atriz sabe do que está falando. O público a conhece como a estrela de filmes como ‘Fogo contra Fogo’ (1995), com Al Pacino, a trilogia ‘Guerra nas Estrelas’ (1999, 2002, 2005) e ‘Perto Demais’(2004), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar e um Globo de Ouro. Entretanto Natalie Portman é também ativista de causas políticas e humanitárias. Ela é a embaixadora da FINCA International (Fundação de Assistência Comunitária Internacional), uma organização que oferece microcrédito para mulheres em países em desenvolvimento.
Embaixadora
Natalie Portman entrou em contato com a FINCA International devido ao seu interesse pelo Oriente Médio e sua admiração pela Rainha Rânia Al-Abdullah, da Jordânia. A atriz é israelense-americana, nascida em Jerusalém. Ela desejava a criação de uma iniciativa para mulheres no Oriente Médio, juntamente com a rainha da Jordânia, que estava profundamente envolvida com a FINCA e com uma campanha de apoio à criação de bancos para pequenos vilarejos.
Natalie Portman se envolveu com o trabalho da organização e viajou para muitos lugares. Ela é embaixadora da FINCA desde 2004. Em resposta às perguntas Radio Nederland sobre micro-finanças, nosso tema em 2010, Natalie Portman escreveu uma resposta detalhada:
1. Você acha que o microcrédito é a resposta para a acabar com a pobreza?
”A pobreza é uma questão complexa e necessita um amplo leque de intervenções. Intervenções-chave, na minha opinião, incluem o acesso à educação, a capacidade das mulheres de ter o controle sobre seus corpos e reprodução, o acesso às necessidades humanas básicas como alimentação, abrigo, saúde, e meios para fornecer apoio financeiro à sua família. Quando fui pesquisar os tipos de intervenções que poderiam fornecer resultados mais positivos para os pobres, tive conhecimento de que as mulheres compõem 70% dos cidadãos mais pobres do mundo. Aprendi que o microcrédito fornece aos cidadãos mais pobres do mundo, especialmente as mulheres, acesso a capital. Ao fazer isso, eles são capazes de assumir o controle de suas vidas, determinar a melhor maneira de usar seu talento e criatividade para criar seus próprios empregos, adquirir os bens que lhes permitirão passar da dependência à auto-suficiência e garantir que suas crianças possam esperar um futuro melhor. Apesar de saber que o microcrédito não é a única solução para a pobreza, eu acredito que é uma das principais ferramentas que podem fazer uma enorme diferença na vida dos indivíduos, suas famílias e suas comunidades.
2. Quem lucra com o microcrédito?
Muitas pessoas. Em primeiro lugar, os clientes e suas famílias, porque o lucro gerado pelas pequenas empresas permite que as mães tenham mais poder aquisitivo e forneçam os meios para que levem seus filhos ao médico quando estão doentes e comprem medicamentos, se necessário. Microempresários, por exemplo, podem melhorar suas casas, colocando um telhado ou construindo outra sala, ou até mesmo uma latrina. Mas o mais importante é que o lucro permite que as crianças iniciem ou mantenham-se na escola, que é o melhor caminho para eles se livrarem da pobreza quando crescerem.Os resultados da investigação da FINCA mostram que as mães usam seus rendimentos adicionais para o pagamento de taxas escolares de seus filhos antes de fazer qualquer outra melhoria familiar. Além disso, as comunidades também se beneficiam, pois com mais membros produtivos na sociedade, gera-se mais receitas que podem vir a apoiar programas locais. Os governos nacionais também lucram, pois os empregos e renda gerados em nível local, fortalecem as economias nacionais. As organizações de microcrédito também se beneficiam, porque, uma vez que seus programas tornam-se auto-sustentáveis, a renda gerada pode ser recolocada nestes programas, permitindo-lhes alcançar mais clientes, com mais rapidez e maiores empréstimos.
3. O microcrédito atinge as pessoas que mais precisam?
O microcrédito atinge atualmente mais de 150 milhões de pessoas ao redor do mundo, o que é notável. No entanto, 1,3 bilhão de pessoas subsistem com menos de 2 dólares por dia, ou seja, há uma enorme necessidade de expandir os serviços de micro-finanças.
4. Você tem alguma história pessoal sobre o microcrédito?
Certa vez conheci uma mulher em Uganda chamada Nayima. Quando ela tinha 14 anos, seu pai a forçou a se casar com seu primeiro marido. Após dar à luz a dois filhos, o marido revelou que tinha uma segunda mulher, algo comum em algumas culturas. No entanto, a primeira esposa não aceitou Nayima e ela teve que deixar a casa. Ela casou-se novamente e, com seu segundo marido, teve oito filhos: todas meninas. Então, seu segundo marido a deixou porque queria um filho homem. Entretanto ele voltou para casa quando ficou doente. Nayima juntou dinheiro para suas despesas médicas, mas ele morreu pouco depois, deixando-a grávida de gêmeos. Nayima se mudou para um quarto com seus filhos. Eles não tinham nada para comer. Nayima não podia sequer comprar um pedaço de sabão. Ela pedia a quem estivesse lavando roupa para dar-lhe a água suja para que ela pudesse então lavar as roupas de seus filhos. Eles eram tão pobres que todas as crianças foram obrigadas a abandonar a escola. Nayima começou a vender banana e aipim frito na beira da estrada, mas ainda assim sua vida não mudou muito. Seu sonho era operar seu próprio negócio e melhorar a vida de seus filhos, por isso, quando um amigo apresentou Nayima ao grupo bancário da aldeia, ela se tornou cliente e obteve seu primeiro empréstimo de 100 mil xelins ugandenses (cerca de 50 dólares). Ao longo dos anos, ela obteve muitos outros empréstimos e hoje possui um pequeno restaurante e uma empresa de catering. Duas de suas filhas estão casadas e trabalhando no restaurante, quatro ainda estão na escola, e um filho trabalha em um posto de gasolina.
























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