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Groningen, Holanda
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Nano-carro holandês roda o primeiro milimilímetro

Data de publicação : 15 Novembro 2011 - 3:16pm | Por Marco Hochgemuth (Imagem: Universidade de Groningen)
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Um carrinho minúsculo com uma carroceria que roda pelo corpo humano coletando células cancerígenas. Parece ficção científica, mas já se está trabalhando nisso. Cientistas holandeses deram um passo importante no desenvolvimento de um nano-carro assim. A questão é saber por quanto tempo a Holanda ainda terá dinheiro para pesquisas deste tipo.

Ben Feringa, professor de química orgânica da Universidade de Groningen, venceu o prêmio Spinoza em 2004 por seu trabalho com motores moleculares. Na época, ele divulgou que tinha planos para desenvolver este nano-carro futurista. Depois de sete anos de trabalho árduo, conseguiu. Foi um momento de grande alegria para Feringa.

O que ele desenvolveu com cientistas de Groningen e da Suíça é uma molécula sintética com quatro ‘rodinhas’. Na verdade, são motores de rotação que se movimentarão ao receber uma corrente elétrica. Desta maneira a molécula funciona como uma espécie de ‘carrinho’ que pode se movimentar sobre uma superfície. Com apenas um nanômetro de comprimento, no corte transversal de um fio de cabelo humano caberiam sessenta mil nano-carros.

Boeing 747
Durante seus experimentos os pesquisadores conseguiram fazer com que o nano-carro rodasse alguns milimilímetros. Uma distância pequena para um carro, mas enorme para a humanidade? Feringa descreve a importância deste feito:

“Na verdade este é um sistema muito primitivo. Nós nos sentimos um pouco como os irmãos Wright quando conseguiram voar os primeiros metros com seu aviãozinho. Na época também não se sabia que daquilo surgiria um Boeing 747. A grande importância disso é que conseguimos demonstrar um princípio fundamental: é possivel movimentar algo controlável em nível molecular através de um motor no qual se aplica energia dirigida.”

Segundo Feringa, já se fantasia e se especula muito sobre nano-máquinas e nano-robôs que se arrastam pelo corpo reparando células no caminho, aplicando remédios ou retirando células cancerígenas. “Ainda é muito cedo para isso, mas as pessoas sonham com estas coisas”, diz. O atual modelo de nano-carro ainda está longe de poder fazer isso, até porque por enquanto ele só roda no vácuo e numa temperatura de 266 graus abaixo de zero.

Nano-estradas
Agora que foi dado o primeiro passo, Feringa está mais confiante e entusiasmado em relação ao próximo. No momento ele está trabalhando no desenvolvimento de ‘nano-estradas’ nas quais o carro possa andar.

“O que temos que ver agora é como conseguir pôr o carrinho neste caminho sem que ele se cole a ele muito depressa nem fique tão solto que vá para outras direções. E isso em condições normais, de 20 graus. O segundo desafio é tentar fazer o carro se movimentar com luz. Já temos motores que rodam com luz; agora temos que fazer um carrinho com eles. Além disso, também queremos que as rodas sejam maiores e que ele tenha uma carroceria, para que possa realmente transportar algo.”

Futuro
Não é por acaso que o nano-carro está sendo desenvolvido na Holanda. Já há alguns anos as universidades técnicas holandesas uniram forças, o que levou a um bem-sucedido programa na área de nanotecnologia. Ainda que em extensão estas pesquisas não se comparem aos estudos feitos nos EUA, Japão e China, a Holanda também tem papel de destaque neste terreno, segundo Feringa. Mas ele se preocupa com o futuro:

“As perpectivas fnanceiras para este tipo de pesquisa são um pouco preocupantes. Estes são projetos de longo prazo, são pesquisas muito fundamentais que talvez ofereçam perpectiva daqui a 20 ou 30 anos. Mas a política do governo holandês para a ciência neste momento é direcionada principalmente a projetos de inovação para empresas e a curto prazo. Temos que ficar atentos para que continue existindo dinheiro suficiente para pesquisas pioneiras e descobertas importantes a longo prazo.”

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