Em 1998, dois irmãos recém-chegados ao Rio de Janeiro, Maycon e Nelcirlan Souza de Oliveira - mais conhecido como Cirlan -, começaram a brincar com pecinhas de lego, tampinhas de garrafa e a criar com tijolos encontrados aqui e ali uma pequena maquete da favela em que moravam, a Vila Pereira da Silva, também conhecida como Pereirão. Aos poucos, outras crianças da comunidade também começaram a participar.
E o que começou como uma brincadeira acabou ganhando o mundo. O ‘Morrinho' já foi exibido em vários países e também representou o Brasil na Bienal de Veneza, em 2007. Agora também virou filme. A estréia internacional do documentário ‘Morrinho - Deus sabe tudo mas não é X9', de Fábio Gavião e Markão Oliveira, ocorreu no LAFF, festival de cinema latino-americano em Utrecht, na Holanda.
Hoje com cerca de 320 metros quadrados de extensão, o Morrinho reproduz um complexo de favelas cariocas e é 'habitado' por inúmeros bonequinhos, também criados pelos meninos.
Traduzindo a realidade
Em 2001, os cineastas Fábio Gavião e Markão Oliveira viram a maquete pela primeira vez, e de cara perceberam que uma coisa muito especial estava acontecendo ali, como conta Markão Oliveira.
"Nós vimos de cara que renderia um documentário pela maquete e pela brincadeira que eles estavam fazendo ali. A gente viu que foi uma maneira muito criativa, lúdica e segura de lidar com a realidade deles, que é uma realidade muito dura. De alguma maneira eles têm que botar esta vivência pra fora, e eles acharam uma maneira muito bacana."
Logo depois do primeiro contato dos cineastas com os meninos, o Morrinho começaria a ganhar destaque na imprensa e convites para exposições começaram a surgir de diversas partes do Brasil e do mundo.
Atração turística
Oito anos e 600 horas de filmagens depois, o resultado é documentário ‘Morrinho - Deus sabe tudo mas não é X9', e também a ONG Morrinho, que hoje é coordenada por Cirlan na Vila Pereira da Silva, que é mantida principalmente por um projeto de turismo no Morrinho, mas ainda tem dificuldades financeiras.
"O Morrinho é dentro da comunidade, o projeto todo se situa dentro da comunidade. Tendo parceiros ou patrocínios grandes que permitam dar continuidade a isso, a gente pode ter uma comunidade modelo. Às vezes a gente quer oferecer uma aula de inglês - recebemos muitos voluntários para dar aulas de inglês, de fotografia -, mas no meio do caminho um voluntário tem que parar. Se pudesse ser uma coisa contínua seria melhor. Nós queremos ser um exemplo de cidadania e atender a milhares de crianças. Isso pra gente é o futuro", acredita Cirlan.
‘Última Parada 174' é premiado no LAFF
O filme de Bruno Barreto ‘Última Parada 174', foi escolhido pelo público holandês como o melhor filme do festival de cinema latino-americano LAFF.
‘Última Parada 174' tem roteiro de Bráulio Mantovani e é baseado na história real de Sandro do Nascimento, menino pobre que sobreviveu à chacina da Candelária e, em 2000, sequestrou um ônibus no Rio de Janeiro. O filme entra em cartaz esta semana nos cinemas holandeses.
Outros premiados do LAFF foram:
- ‘La Rabia' (Albertina Carri, Argentina) - Latin Angel, prêmio do júri
- 'La Canción de los Niños Muertos' (David Pablos, México) - Latin Angel, prêmio estudantil
- 'Coyote' (Chema Rodriguez, Guatemala/México)- Latin Angel de melhor documentário na escolha do público
- 'Coyote' - Latin Angel, prêmio jovem
























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