Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Radio Nederland publica durante essa semana uma série de entrevistas com brasileiras de destaque na Holanda.
Ela veio para a Holanda aos 18 anos e hoje é uma empresária e estilista de sucesso, mas diz que seu ‘doorbrak’ – o momento que marca o deslanche da carreira - ainda está por acontecer. Miriam Flores é uma mulher que não tem medo de sonhar alto.
Miriam vive desde 1999 em Roterdã e é a força criativa por trás da marca Madé, empresa de moda criada por ela e por uma antiga sócia em 2005, e que hoje já exporta para a Grã-Bretanha, França, Suécia, Israel, Japão e Estados Unidos, além de estar presente em lojas de várias cidades holandesas.
”Eu segui meu coração. Vim pra cá porque me apaixonei por um holandês”, conta Miriam, que depois de 11 anos vivendo na Holanda já tem mais sotaque falando português do que holandês.
Vocação
Embora não pensasse em seguir carreira na área de moda, Miriam já costurava desde pequena. Aprendeu com a mãe, que costurava para os vizinhos ou para fábricas para complementar a renda.
Foi um teste vocacional, feito pouco depois de ter chegado à Holanda, que a levou à Academia de Moda de Roterdã. E o talento ficou evidente logo de início.
”Eu mudei pra cá por causa do trabalho do meu marido, porque era mais fácil eu vir para cá do que ele ir para o Brasil, mas minha vida tinha que continuar aqui, então a primeira coisa que fiz foi aprender holandês e ir estudar. Fiz um teste vocacional e o resultado foi que eu me daria bem em profissões criativas, como cabeleireira, costureira, estilista. Com estes dados eu fui para a escola de moda e fui a melhor aluna da minha turma.”
Toque brasileiro
Em 2009, suas criações ilustraram na Holanda as páginas de inúmeras edições de moda: Elle, Marie Claire, Avantgarde, Cosmopolitan, Elegance, Linda, Libelle, Glamour, Red, Grazia, Glossy, Vrouw, Jan, Blend e La vie en Rose.
Miriam define a roupa que faz como “feminina, sensual, meio brasileira”. “Como estou aqui já há 11 anos, sou meio holandesa, mas eu sou brasileira. Minhas coleções são adaptadas para a Holanda, mas são bem brasileiras”, descreve Miriam, que quer levar sua marca ainda mais longe.”Eu ainda estou esperando o meu ‘doorbrak’. Acho que na Holanda a gente poderia crescer mais.” Para isso, ela pensa em tornar a marca, que hoje é vendida apenas em butiques exclusivas, um pouco mais comercial. “O volume é importante, mas tem que continuar com o ‘allure’, a Madé tem que continuar a Madé, com seu charme, sensualidade e atenção para os materiais, mas talvez ter uma parte da coleção mais comercial, sem perder a qualidade.”
Foco
E é ledo engano pensar que o trabalho da estilista se resume a desenhar modelos. Miriam viaja o mundo para escolher tecidos, fazer pesquisas e acompanhar a produção de suas coleções no Marrocos, na China, Itália e Portugal.”A parte de desenho é só 10% do trabalho todo.”
Trabalhando às vezes até 100 horas por semana, ela dá a dica para brasileiros que também queiram iniciar um negócio próprio na Holanda: “Eu me sinto realizada e acredito que tudo o que você quer, se você se dedica e tem foco, tudo pode ser realizado. Acho que no Brasil as pessoas às vezes tem só uma boa chance na vida e aquela chance elas têm que pegar com as duas mãos. Na Holanda, se a pessoa é trabalhadora e dedicada, existe bastante chance. As chances que eu tive aqui eu peguei com as duas mãos, trabalhei e fiz alguma coisa com isso. Brasileiros que vêm pra cá e querem montar um negócio, eu aconselho a fazer, porque é um país que te dá bastante oportunidades.”
Maratona
O ritmo acelerado da vida da estilista não impede que ela também se dedique ao esporte: Miriam é maratonista. “Mas infelizmente esse ano não corro em Roterdã porque no fim do ano passado sofri uma contusão no joelho depois de correr a maratona de Nova York. Meu próximo objetivo é na Páscoa correr de Paris a Roterdã para arrecadar dinheiro para crianças que sofrem de câncer.”


































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