Radio Netherlands Worldwide

SSO Login

More login possibilities:

Close
  • Facebook
  • Flickr
  • Twitter
  • Google
  • LinkedIn
Início
Segunda-feira 28 Maio RNW - NEWS, ANALYSIS AND BACKGROUND IN 10 LANGUAGES, WORLDWIDE 24 HOURS A DAY, ON RADIO, TELEVISION AND THE INTERNET.
Retrato de Eric Beauchemin
Map
Amsterdã, Holanda
Amsterdã, Holanda

Microcrédito: Não há galinha dos ovos de ouro

Data de publicação : 13 Outubro 2010 - 3:10pm | Por Eric Beauchemin (Foto: Eric Beauchemin/RNW )
Assuntos relacionados:

“O Microcrédito é uma armadilha da pobreza”. Pelo menos esse é o argumento que Milford Bateman usa em seu livro, Por que os microcréditos não funcionam? A ascensão destrutiva do Neoliberalismo local. O jornalista da Radio Nederland, Eric Beauchemin, fez diversos vídeos sobre microcrédito. Ele analisa o livro à luz de suas experiências.

Por mais de três décadas, o mundo tem sido encorajado a acreditar que o microcrédito é a melhor maneira de ajudar a parcela menos favorecida da população a melhorar sua vida. Bateman reconta a história do microcrédito, desde sua origem simples em Bangladesh em 1970, até a atualidade, onde ela é tida como um dos melhores métodos do mundo para eliminar a pobreza. Bateman afirma que a noção idealista original mudou nos anos 90, como resultado das políticas neoliberais. “Organizações de microcrédito tinham que se tornar convencionalmente um fator maximizante de lucros de empresas financeiras privadas, cobrando taxas de juros de mercado”, escreve ele.

Estilo de vida luxuoso
Eu vi um exemplo do que Bateman chama de “nova onda do microcrédito” quando eu visitei Gana ano passado. A Sinapi Aba Trust é uma das instituições de microcrédito líder no país e tem orgulho de estar expandindo sua base de clientes. Apesar da Trust se auto-intitular uma organização cristã sem fins lucrativos, ela cobra as mesmas taxas de juros de bancos locais. Quando eu visitei a luxuosa sede da organização, eu vi uma frota de Mercede Benz e outros carros no estacionamento. Quando eu questionei o diretor-executivo sobre essa aparente contradição, ele deixou claro que a Sinapi Aba é um negócio e “se não pagarmos bem aos funcionários, ele irão trabalhar para bancos privados.”

Mas isso não é nada em comparação a outra empresa de microcrédito citada por Bateman. ‘Compartamos’ é uma instituição de microcrédito mexicana que gerou grandes lucros para os investidores: uma média de retorno sobre o capital entre 2000 e 2006 de 50%. Os 12 editores da ‘Compartamos’ estavam retirando um generoso lucro por seus esforços: Em 2006, eles embolsaram uma média de 200.000 dólares por pessoa! (A renda média anual de uma família mexicana é de 6.500 dólares).

Armadilha da pobreza
Enquanto os diretores dessas empresas da “nova onda de microcrédito” estão acumulando dólares, seus clientes pobres continuam atolados na pobreza. “Não há evidências concretas para apoiar que as reivindicações generalizadas e a longo prazo do microcrédito” leva ao desenvolvimento econômico sustentável e reduz a pobreza. De fato, ele argumenta que o microcrédito está perpetuando a pobreza porque retira fundos que deveriam ser disponibilizados para estimular pequenas e médias empresas. Estas companhias têm muito mais chance de gerar empregos para os pobres, acredita ele.

O cliente da Sinapi Aba trust que eu visitei em Gana, certamente não viu muita melhoria em sua vida. Comfort Azelima recebeu seis empréstimos para seu negócio de ‘Tye-Dye’, uma técnica de amarrar e tingir tecidos. Ela me foi apresentada pela trust como uma história de sucesso, mas Comfort trabalha ao lado da estrada, sem um teto sobre sua cabeça. Ela diz que os empréstimos que recebeu são pequenos demais para o seu negócio realmente crescer. E afirma que tem sonhos muito maiores, mas não parece estar fazendo muito para realizá-los.

Mas também tenho visto os benefícios do microcrédito. No Quênia, por exemplo, eu conheci uma mulher que trabalhava como prostituta em uma das maiores favelas da capital. Graças ao microcrédito, agora ela costura roupas e é dona de uma nova loja. A vida poderia ser melhor, diz ela, mas é infinitamente melhor do que era.

Às vezes irritante
Bateman é exagerado em sua condenação ao neoliberalismo e à nova onda do microcrédito, e por vezes irritante. Mas, para seu crédito, ele oferece alternativas. Ele apresenta exemplos de locais que são modelos financeiros em uma variedade de países, incluindo Venezuela e Vietnã, e que têm produzido impactos positivos para os pobres e o resto da sociedade. Na Venezuela, por exemplo, as autoridades criaram redes de comercialização agrícolas, de mercado e cooperativas de trabalhadores. Os pobres recebem empréstimos com a condição de que suas microempresas possam de alguma forma integrar grandes redes de negócios para que toda a sociedade seja beneficiada.

O microcrédito não é a raiz de todo mal, como alguém poderia pensar ao ler o livro de Bateman. Mas ele faz argumentos convincentes sobre as suas desvantagens que fazem com que qualquer pessoa interessada no assunto pare para pensar em algumas questões difíceis. Claramente, o microcrédito não é a galinha dos ovos de ouro, como todos nós fomos levados a acreditar.

Debate

Submeter um novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
  • Marcadores de HTML permitidos: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <p> <br>
  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente.
  • Endereços de páginas web e endereços de e-mail são transformados automaticamente em ligações.

Mais informação sobre as opções de formatação

RNW - NEWS, ANALYSIS AND BACKGROUND IN 10 LANGUAGES, WORLDWIDE 24 HOURS A DAY, ON RADIO, TELEVISION AND THE INTERNET.