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Amã, Jordânia
Amã, Jordânia

Microcrédito financia escola para crianças deficientes

Data de publicação : 1 Setembro 2010 - 11:42am | Por RNW Radio Netherlands Worldwide (Foto:Omar el-Keddi)
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“Agora, dez anos depois, eu acho que estamos no caminho certo.” Imane Al-Majali tem uma filha, Jumana, portadora de deficiência. Jumana sofre de problemas de crescimento e tem dificuldades de aprendizagem. Mesmo assim, Imane quis que ela estudasse numa escola normal, com crianças comuns. Como isso não era possível na cidade de Amã, capital da Jordânia, Imane decidiu criar sua própria escola.

Até o momento, a escola tem quase 100 alunos. A instituição conta com o apoio de profissionais especializados em educação de crianças deficientes e com o uso de terapias, fonoaudiologia, música, desenhos e ginástica. Ao mesmo tempo, os professores atendem crianças sem deficiência, de modo que elas também recebam a atenção necessária.

Prova do sucesso
Ao longo dos anos, tem crescido a aceitação para este tipo de escola e a interação entre alunos normais e alunos especiais tem corrido bem. Tão bem que, quando as crianças passam para o ensino secundário, continuam em contato umas com as outras. Os ex-colegas sempre correm para ajudar as crianças com deficiência quando estas são vítimas de deboche ou discriminação.

Imane orgulha-se pelo fato dos pais de alunos dizerem que seus filhos estão se desenvolvendo de maneira mais positiva: aceitando mais responsabilidades, ficando mais sensíveis e ajudando os mais fracos.

Burocracia
Apesar de tudo, a escola não foi criada sem luta. Foi preciso enfrentar um longo processo burocrático até que Imane conseguisse receber uma permissão para abrir um curso primário. Ela então começou um projeto de educação inclusiva, no qual crianças com dificuldades de aprendizado foram colocadas na mesma sala de aula com outros alunos.

Como se não bastasse, após toda a burocracia, Imane ainda teve que enfrentar problemas culturais. Havia pouco conhecimento e consciência sobre educação especial na Jordânia. Muitas famílias se recusaram a deixar suas crianças 'normais' estudarem junto com crianças com problemas de aprendizado.

”Os pais aqui não estavam preparados para esse tipo de ideia. Dez anos atrás, as pessoas pensavam que estes tipos de deficiência ou dificuldade de aprendizado eram contagiosos”, diz Imane.

Foi por esse motivo que ela começou a convidar crianças que tinham os pais mais instruídos, com mais conhecimento e consciência, a participar. No início eram poucos alunos assim, e vieram principalmente porque foram oferecidos benefícios financeiros aos pais.

Microcrédito
Imane começou seu projeto com um empréstimo de 8 mil euros do Fundo para o Desenvolvimento e Exploração. Além disso, tinha uma pensão de 4.300 euros. Mas ela diz que o sucesso do projeto teve menos a ver com dinheiro do que com a mentalidade dominante da sociedade em relação às crianças com deficiência. Na Jordânia, há um grande número de escolas para crianças portadoras de deficiência, mas nenhuma oferecendo educação inclusiva, de convívio conjunto. A idéia de que alunos com e sem deficiência pudessem estudar na mesma sala de aula continua inaceitável para muitos.

Apenas escola primária
Imane acha uma pena que sua escola seja apenas para o ensino primário. Quando os alunos terminam, vão para uma escola comum para o ensino secundário. Essa é a razão pela qual ela agora está procurando outras escolas que possam oferecer tempo e atenção para crianças com dificuldades especiais. Apesar de não ter condições financeiras para oferecer aulas de nível secundário, Imane está tentando ajudar seus ex-alunos em suas novas escolas.

Equipes especiais acompanham as crianças, enquanto a própria Imane tenta encontrar escolas profissionalizantes para seus ex-alunos e dessa forma ajudá-los a ter um futuro melhor. Em conjunto com uma entidade pública, ela está criando empregos para jovens portadores de deficiências.

Orgulho
Após todos esses anos de luta, Imane tem muito orgulho de dizer que sua filha Jumana, com quem tudo começou, é agora secretária assistente de sua escola e responsável por muitas das tarefas administrativas.

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