Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Radio Nederland publica durante essa semana uma série de entrevistas com brasileiras de destaque na Holanda.
“O papel da mulher é acreditar que ela tem direitos e oportunidades como qualquer um na sociedade. E deve continuar lutando, sobretudo, no campo profissional.” Essa é a principal mensagem de Marilene Nagle, professora brasileira aposentada da Universidade de Leiden, Holanda, para as outras mulheres. Provavelmente uma frase inspirada na sua própria trajetória pessoal e profissional.
Natural de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), Marilene não imaginava que um dia partiria da pequena cidade do interior paulista para o mundo. As mudanças começaram cedo. “Já na época do ensino fundamental mudei-me para São Paulo, onde segui meus estudos em Letras Neolatinas (português e francês) na Universidade de São Paulo (USP)”, conta.
Depois de formada, decidiu fazer as malas e bater asas para outro continente. O destino escolhido foi a França, onde fez sua especialização em Teatro na Universidade de Aix-en-Provence. Foi no final da sua estada em terras francesas que conheceu seu futuro marido, um holandês, com quem passaria os cinco anos seguintes na Índia. “Lá eu continuei meus estudos de Teatro. Posso dizer, que considero a década de 70, que passei praticamente na Índia, a mais enriquecedora de minha vida”, confessa.
Carreira acadêmica
Retornando da Índia, não foram necessários muitos anos para ingressar na carreira acadêmica na Holanda. A partir de 1980, Marilene começou a dar aulas de Literatura e Cultura Brasileiras na Universidade de Utrecht. O passo seguinte foi a Universidade de Leiden, onde sua principal função foi ensinar a língua e a lingüística brasileiras, além de dar continuidade à sua pesquisa em literatura. “Trabalhar sobre assuntos brasileiros na Holanda deu-me a oportunidade de conhecer melhor o Brasil, sua língua e sua cultura”.
Segundo Marilene o interesse dos holandeses pelo Brasil é grande e a tendência é aumentar cada vez mais. “Um dos grandes desafios de dar aulas na Holanda é o fato de lidar com estudantes desafiadores e bem informados, mas, sobretudo, conseguir passar algo do Brasil e de sua cultura usando a língua como principal veículo.”
Tropicalismo
Há um ano Marilene se aposentou, entretanto não parou de trabalhar, continuando sua pesquisa, centrada no Tropicalismo e nas vanguardas a partir dos anos 60. Tantos anos de estudo na área de literatura resultaram em alguns livros, entre os quais “Reescrituras”, em que faz um ensaio intitulado “Verdade ou Vereda Tropical – Memória do Tropicalismo em Caetano Veloso”, no qual analisa o Brasil dos anos 60 tanto da perspectiva nacional quanto internacional.
Segundo Marilene as dificuldades encontradas na Holanda não foram muitas. “Vivendo desde o início no seio de uma família holandesa, não posso falar em barreiras, mas o motivo principal da fácil adaptação é que eu sempre pude trabalhar na Holanda, desde o princípio. Em relação ao fato de ser mulher, ela explica: "Encontrei os obstáculos que qualquer mulher encontra em qualquer parte do mundo. Luta-se pela igualdade, mas ela ainda não se instaurou definitivamente nas diversas sociedades.”





























Submeter um novo comentário