O ministério da Educação, Cultura e Ciência da Holanda (OCW) encomendou um mapeamento das atividades culturais no Brasil para facilitar e incrementar o intercâmbio entre os dois países neste setor. Na última terça-feira, a SICA - fundação holandesa para atividades culturais internacionais - apresentou o levantamento feito por especialistas brasileiros e holandeses, que foi entregue à diretora-geral de mídia e cultura do ministério holandês, Judith van Kranendonk, e ao ministro Carlos Alberto Asfora, da embaixada brasileira em Haia.
O mapeamento cobre as áreas de arquitetura, patrimônio, artes plásticas, música clássica e popular, teatro, dança, literatura, novas mídias, design e moda.
Cerca de cem profissionais do setor cultural, holandeses e brasileiros, participaram ainda de encontros específicos onde se discutiu o que pode ser feito para aumentar o intercâmbio em cada área.
Primeiro passo
O mapeamento é um primeiro passo para o desenvolvimento de projetos culturais conjuntos a longo prazo. Segundo o holandês Jorn Konijn, que coordenou o projeto para a SICA, o próximo passo será a realização de projetos concretos.
"O que temos agora é um livro, com informações sobre organizações interessantes, pessoas interessantes e muitas sugestões de como intensificar o intercâmbio entre a Holanda e o Brasil. Importante agora é traduzir isso em ações", diz Konijn. "E para isso é importante ter financiamento por parte do ministério e apoio dos fundos culturais de cada setor."
Flávio Moura, diretor de programação da Flip - Festa Literária Internacional de Parati -, foi o responsável pelo mapeamento na área de literatura. Ele comenta que os holandeses conhecem muito mais a literatura brasileira do que os brasileiros a holandesa, e destaca a importância do treinamento de tradutores para que o intercâmbio entre os dois países se intensifique nesta área.
Antropofagia cultural
Para a designer brasileira radicada na Holanda, Bea Correa, o mapeamento feito pela SICA é um bom começo, mas ainda há muito a ser feito. Segundo Bea, a Holanda pode aprender muito com a ‘antropofagia cultural' brasileira, com a moda e os projetos de design social desenvolvidos no Brasil.
De acordo com Jorn Konijn, a intenção com este mapeamento não é organizar um grande evento holandês no Brasil, como foi feito com outros países, mas espalhar as atividades e fazer com que este seja um projeto com continuidade e real intercâmbio de atividades e experiências.
Aplicações sociais
"A força da Holanda está mais na troca de idéias, intercâmbio de estudantes, residências, este tipo de coisa. Não acredito que seja o caso de fazer um grande Ano da Holanda no Brasil. A idéia não é fazer um ano holandês em 2010 e depois ir para o próximo país. A idéia é realmente criar uma base sólida para um intercâmbio contínuo. E não se trata apenas de atividades holandesas no Brasil, mas também de tudo o que podemos aprender com o Brasil", reforça Konijn. "Especialmente na área de participação cultural e aplicações sociais da cultura, campo em que o Brasil tem muita experiência e no qual a Holanda pode aprender muito."




























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