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Liberdade na internet: Fale baixo e leve sempre um pen drive
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Liberdade na internet: fale baixo e leve sempre um pen drive

Data de publicação : 13 Janeiro 2012 - 3:21pm | Por Robert Chesal (Imagem: RNW)
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Governos ocidentais estão investindo milhões para manter defensores dos direitos humanos online em países como Síria, Irã e China. Eles estão oferecendo a estes cidadãos-jornalistas a tecnologia para driblar a vigilância ou interrupção do tráfego de dados por regimes repressivos. Mas apesar desta ajuda, a Europa e os Estados Unidos estão sendo acusados de hipocrisia com respeito à liberdade na internet.

As últimas ações do governo iraniano ilustram bem porque blogueiros ali precisam de ajuda ocidental. Cybercafés receberam ordem de registrar em detalhes a identidade e hábitos de uso da internet de todos os seus clientes. De acordo com o jornal reformista Roozegar, Teerã poderá introduzir em breve sua própria versão nacional da internet e bloquear permanentemente o acesso dos iranianos à rede global. Antes das eleições parlamentares em março, o governo quer garantir que o Irã não vai assistir à próxima revolução via Facebook.

Equipamento sob medida
Para ter certeza que blogueiros iranianos pró-democracia possam continuar informando uns aos outros e o mundo exterior, o ocidente tem enviado ajuda. Não em forma de dinheiro, mas de tecnologia: equipamento feito sob medida e software que garante o acesso à internet e proteção de programas espiões. São ferramentas que levam nomes como ‘The Shadow Internet’ e ‘Internet in a Suitcase’.

Impressionados pelo papel das redes sociais na Primavera Árabe, tanto os EUA como a Europa estão contrabandeando esta tecnologia para dentro de fronteiras hostis, até as mãos de ativistas pró-democracia.

“Nosso objetivo é expandir o espaço para a liberdade de expressão e reforçar a sociedade democrática”, diz Monique Doppert, do HIVOS, um grupo de desenvolvimento holandês.

No ano passado, o HIVOS distribuiu cinco mil cópias do software Security-in-a-Box, um pacote que ajuda as pessoas a esconder suas atividades de comunicação das autoridades.

Ele contém dicas sobre assuntos como criptografia segura de dados e criação de senhas fortes. “Você pode pôr o software num pen drive. É tudo o que você precisa.”

Segurança online
Cópias também foram distribuídas na Síria. “Nós não sabemos quantas estão em circulação lá. Eles também podem baixar o software da internet e nós não temos como traçar quem o está utilizando”, diz Doppert. E nisso há um problema: ele pode cair em mãos erradas.

A sofisticação da tecnologia de auxílio a blogueiros está sendo correspondida passo a passo pelo aumento dos aparatos estatais de segurança da internet, reconhece Doppert. “Os regimes estão aprendendo da tecnologia que nós enviamos. E uns com os outros.” Ela acredita que o Irã pode inclusive estar ajudando a Síria a melhorar sua segurança na internet.

Rastreamento e localização
“É um tipo de jogo de gato e rato”, diz a europarlamentar Marietje Schaake, que, de acordo com o Wall Street journal, é a política mais ‘antenada com a internet’ na Europa. “Temos que continuar atualizando a tecnologia usada por defensores dos direitos humanos de maneira que eles possam evitar a vigilância, rastreamento e localização.”

Ela comenta que as ditaduras têm mostrado uma capacidade impressionante de alcançar os últimos avanços. “Conversei com uma pessoa que esteve presa no Irã que disse que a metade dos que estavam na prisão com ele foram confrontados com transcrições de suas mensagens de texto, telefonemas e e-mails. Pensava-se que o Skype era 100% seguro até que ativistas egípcios encontraram transcrições de suas próprias conversas via Skype quando invadiram uma delagacia de polícia no Cairo.”
Cumplicidade corporativa

Não é de surpreender. Regimes repressivos têm comprado muita tecnologia de espionagem do ocidente em anos recentes. A Nokia Siemens Networks vendeu uma rede móvel ao Irã antes da repressão de 2009, ressalta Schaake.

Ela também menciona a companhia italiana Area Spa, que estava construindo um centro de monitoração para centralizar toda a internet e tráfego móvel na Síria, com técnicos italianos trabalhando in loco. “Não é nem questão de dar nome a uma ou duas companhias, esta é uma prática bastante comum.” O volume de venda de sistemas de vigilância pelo ocidente a países como a Síria é enorme em relação à quantia do auxílio dado a ativistas pró-democracia.

Hipocrisia
A indústria de spyware originalmente fornecia apenas para governos e empresas ocidentais, mas agora vende o equivalente a 4 bilhões de euros em todo o mundo. Só recentemente políticos ocidentais começaram a pedir que o comércio de software de espionagem seja regulado, porque ditadores também estão comprando esta tecnologia.

Uma postura hipócrita, diz Rop Gonggrijp, um hacker holandês que em 2010 tornou-se objeto de escrutínio do governo dos EUA por ter ajudado o Wikileaks a divulgar um vídeo até então secreto de um ataque aéreo norte-americano em Bagdá.

“Governos ocidentais que pagaram pelo desenvolvimento de tecnologia repressora agora estão reclamando que ditadores estão usando”, diz Gonggrijp. “Países ocidentais adoram quando a censura é subvertida em países governados por adversários, mas se preocupam muito menos com a liberdade de expressão em suas próprias sociedades.”

Língua bifurcada
“Veja a SOPA, a legislação antipirataria que está sendo analisada pelo congresso dos EUA. É censura. Governos ocidentais fariam mais pela liberdade na internet se não falassem com uma língua bifurcada. Uma mensagem clara é melhor do um software de segurança. Se você quiser ser um farol de liberdade, faça o que você mesmo prega.”

Em dezembro passado, a União Europeia liberou 125 milhões de euros para apoiar a liberdade na internet em países como China, Mianmar, Síria e Irã – o foco era em grande parte o auxílio a blogueiros censurados.

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